- Um agente duplo ligado ao IRA, conhecido como “Faca de Caça” Freddie Scappaticci, trabalhou para os serviços britânicos desde os anos setenta e, segundo o relatório Kenova, foi protegido pelo MI5 durante décadas.
- O relatório aponta falhas organizacionais do MI5, com atraso na entrega de documentos à investigação e custos totais de cerca de 47 milhões de libras; Scappaticci morreu em 2023 aos 77 anos.
- Scappaticci foi levado para fora da Irlanda do Norte em duas ocasiões, quando a polícia o procurava para interrogatório por suspeitas de homicídio.
- O MI5 pediu desculpas e anunciou uma avaliação independente sobre o atraso na documentação, concluindo que o atraso não foi deliberado, mas gerou recomendações para melhorar processos futuros.
- O relatório indica que Scappaticci era conhecido entre agentes do MI5 como a “galinha dos ovos de ouro” pela riqueza de informações entregues, embora o Kenova contestasse números que indiquem centenas de vitórias salvas.
O relatório Kenova, divulgado recentemente, aponta falhas organizacionais no MI5 relacionadas com a gestão de um informador ligado ao IRA, conhecido como “Faca de Caça”. O documento revela que Freddie Scappaticci prestou serviços aos serviços britânicos desde os anos 1970, tendo morado em várias fugas para evitar investigações por homicídio. O custo total da investigação foi de cerca de 47 milhões de libras, e o agente faleceu em 2023, aos 77 anos.
Segundo o relatório, o MI5 terá protegido o informante durante décadas, mantendo-o informado sobre as suas atividades e tendo acesso a toda a informação que ele transmitia. A investigação aponta que Scappaticci esteve ligado a pelo menos 14 homicídios, o que contrasta com as alegações de proteção a maior escala do que a realmente comprovada. A Operação Kenova durou quase nove anos e envolveu a polícia britânica.
A divulgação ocorrre em meio a críticas sobre a gestão de documentos relacionados com o papel do informante. O relatório acusa falhas organizacionais graves, incluindo atraso na entrega de documentação à investigação e tentativas de esconder a verdade. O MI5 já pediu desculpas formalmente pela atuação associada ao caso.
O que revelou o relatório Kenova
- Freddie Scappaticci, o informador do MI5, integrou o IRA na década de 1960 e passou a trabalhar para os serviços britânicos na metade dos anos 1970.
- A identidade do agente foi tornada pública em 2003, levando-o a ingressar num programa de proteção de testemunhas.
- O MI5 descreveu o informante como uma fonte estratégica, embora as estimativas oficiais de vidas salvas não correspondam aos números divulgados pelo relatório.
- Ken McCallum, diretor-geral do MI5, pediu desculpas e anunciou uma avaliação independente sobre o atraso na entrega de documentação, a qual concluiu que não houve retenção deliberada, apenas recomendações de melhoria.
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