- Mais de metade (55,7%) dos alunos com origem imigrante diz ter sentido discriminação na escola, sendo 70,6% entre a primeira geração.
- O estudo foi apresentado numa conferência online e envolveu nove escolas de Lisboa, Sintra e Amadora, com 935 alunos ao longo de dois anos letivos (2022/2023 e 2023/2024).
- Em aproximadamente um terço dos casos, a discriminação envolve apenas colegas; 35% envolve professores e 10,9% assistentes operacionais.
- Os motivos mais mencionados são características e aparência física (30,4%), cor da pele (24,2%) e território de origem (19,1%), com 32,8% sem indicação do motivo.
- O texto defende monitorização nacional da discriminação escolar e reforço de políticas de inclusão, apontando desigualdades persistentes e a importância de práticas institucionais para a integração.
Mais de metade dos alunos imigrantes afirma ter sentido discriminação na escola, segundo um estudo apresentado numa conferência online esta quarta-feira. A investigação abrange escolas de Lisboa, Sintra e Amadora e foi realizada ao longo dos anos lectivos 2022/2023 e 2023/2024.
O estudo, coordenado por Sílvia de Almeida do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa, envolveu 935 alunos. A maioria das situações envolve apenas estudantes, com 32,8% sem indicação do motivo da discriminação.
Entre os motivos apontados, 30,4% referem-se a características e aparência física, 24,2% à cor da pele e 19,1% ao território de origem. Casos envolvendo docentes atingem 35% e os assistentes operacionais respondem por 10,9%.
A pesquisa decorreu em nove escolas com elevada população de imigrantes, três em cada concelho de Lisboa, Amadora e Sintra, focando turmas do 9.º ano. Em paralelo, 39% dos alunos com progenitores nacionais sentem-se bem incluídos na escola.
As conclusões indicam que alunos de primeira e segunda geração imigrante sentem-se menos incluídos do que os colegas portugueses, com cerca de 47% e 21% a indicar sentir-se pouco ou nada incluídos. O estudo reuniu mais de 1.400 participantes, incluindo docentes e gestores.
Sílvia de Almeida aponta a necessidade de monitorização nacional do fenómeno e critica a ausência de avaliação de medidas de prevenção de discriminação racial implementadas há anos pelo antigo Alto Comissariado para as Migrações. A investigadora sublinha que não existirem mecanismos de monitorização dificultam mitigar discriminações.
O relatório, promovido pela EPIS — Empresários pela Inclusão Social, destaca que a inclusão educativa continua a ser um desafio estrutural, com desigualdades persistentes nas relações, na participação e nas oportunidades institucionais.
O documento descreve respostas pedagógicas já implementadas, como ensino de Português Língua Não Materna, acolhimento às famílias e mentoria, mas alerta para a desiguidade na implementação e recursos limitados. A inclusão depende de fatores relacionais e institucionais, não apenas do desempenho individual.
O estudo utiliza regressão estatística para estimar fatores de inclusão: a inclusão completa aumenta quando há naturalidade portuguesa nos alunos e nos pais, frequências atividades extracurriculares, responsabilidades assumidas, amizades e escolha de colegas para o recreio. O papel da escola é central para trajetórias de sucesso e coesão social.
Os autores defendem políticas educativas mais direcionadas para acolhimento e inclusão à medida que a diversidade cultural cresce. O estudo será apresentado na conferência Acolher para Incluir, em Lisboa, organizada pela EPIS, dedicada aos percursos dos alunos imigrantes.
Entre na conversa da comunidade