- O Papa Leão XIV liderou uma vigília pela paz na Basílica de São Pedro, denunciando o “delírio de omnipotência” por trás da guerra entre EUA, Israel e Irão.
- O pontífice exortou líderes políticos a parar a guerra e priorizar o diálogo, sem mencionar diretamente os EUA ou Donald Trump, mas apontando para críticas à retórica militar que usa a fé.
- As negociações de paz entre EUA e Irão começaram no Paquistão, em meio a críticas do Vaticano sobre o uso da religião para justificar conflitos.
- A Fundação para a Liberdade Religiosa Militar dos EUA disse ter recebido mais de 200 queixas de militares que acusam comandantes de usar uma retórica cristã extremista para sustentar a guerra.
- O Vaticano expressou preocupação com a guerra de Israel contra o Hezbollah, que pode alastrar ao Líbano e afetar comunidades cristãs no sul do país.
O Papa Leão XIV invocou o fim da idolatria e criticou a escalada da guerra entre os EUA e o Irão, durante uma vigília na Basílica de São Pedro, no Vaticano, no sábado. O pontífice exigiu que líderes políticos abracem o diálogo e encerrem o conflito, apontando para um uso desajustado da fé para justificar a violência. A cerimónia reuniu fiéis e figuras religiosas, em contexto de tensões regionais.
Relógios indicam que negociadores dos EUA e do Irão iniciaram conversações de paz no Paquistão, em paralelo ao reforço de discursos de apoio à intervenção militar. O Papa não citou explicitamente os EUA nem o presidente norte-americano, mas o tom do discurso refletiu críticas a estratégias que associam poder militar a legitimidade religiosa.
A Fundação para a Liberdade Religiosa Militar dos EUA comunicou, a 3 de março de 2026, ter recebido mais de 200 queixas de militares, de várias ramificações, acusando comandantes de utilizarem uma retórica religiosa extremista para justificar ações contra o Irão.
Interlocutores e contexto
Entre os presentes na basílica esteve o arcebispo de Teerão, Dominique Joseph Mathieu, com representação norte-americana pela chefe de missão adjunta Laura Hochla, segundo a Embaixada dos EUA. O Papa Leão XIV, natural dos EUA, inicialmente mostrou relutância em criticar a guerra, mas intensificou as críticas após o Domingo de Ramos.
Nesta semana, o pontífice descreveu as ameaças de um líder norte-americano de erigir a aniquilação do Irão como inaceitáveis, apelando a prioridade do diálogo e da diplomacia. No sábado, pediu a todos que rezassem pela paz e pressionassem os seus governos para pôr fim à guerra.
Para o Vaticano, a prioridade é evitar uma escalada na região, com especial preocupação pela guerra de Israel contra o Hezbollah, que está a gerar impactos no Libão e afetar comunidades cristãs do sul. Leão XIV reiterou que Deus não apoia guerras e que a violência não pode ser justificada pela fé.
O pontífice descreveu a busca pela paz como meio de romper o ciclo de violência que alimenta uma guerra cada vez mais imprevisível. Reiterou que o uso de força, drones ou lucros indevidos não representa o caminho de uma sociedade justa.
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