O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que as forças de Kiev travaram a ofensiva russa prevista para março, descrevendo a linha da frente como a mais favorável desde meados do ano passado. Segundo Zelensky, a ofensiva foi impedida pelas ações das Forças Armadas ucranianas, e não há neste momento uma ameaça em grande escala.
A guerra mantém-se ao longo de mais de 1200 quilómetros de frente. As tropas russas continuam a pressionar, mas Kiev afirma ter conseguido recuar terreno, com avaliação de que a Ucrânia está ligeiramente em vantagem, tendo libertado cerca de 20 km². Moscovo tende a ajustar a estratégia, aumentando ataques diurnos para contornar defesas antiáereas.
Nesta sexta-feira, ataques russos atingiram infraestruturas civis nas regiões de Zhytomyr e Kiev, causando pelo menos duas mortes. Zelensky descreveu estas ações como uma escalada de Páscoa, acusando a Rússia de transformar o período de trégua em aumento de violência. A primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, reforçou a denúncia de escalada.
Apesar da intensidade dos bombardeamentos, a defesa aérea ucraniana interceptou a maioria dos projéteis, abatendo mais de 500 drones e a maior parte dos mísseis durante um período de ataques concentrados. No terreno, os combates intensificam-se nas regiões orientais e sudeste, com foco perto de Pokrovsk, em Donetsk, e junto a Huliaipole, em Zaporíjia. Registaram-se cerca de 230 confrontos nas últimas 24 horas.
Financiamento em risco
Zelensky pediu ao Parlamento para aprovar com urgência legislação que desbloqueie financiamento externo, vital para sustentar o esforço de guerra e as funções do Estado. As necessidades de financiamento para este ano estão estimadas em 52 mil milhões de dólares, aproximadamente um quarto do PIB ucraniano.
O atraso legislativo já condiciona a libertação de vários milhares de milhões de dólares por credores internacionais. O apoio internacional está parcialmente bloqueado, incluindo um empréstimo da União Europeia de 90 mil milhões de euros, bloqueado pela Hungria. Orbán tem relações próximas com Moscovo.
Economistas alertam para o risco de a Ucrânia ficar sem fundos caso não avance com reformas. Sem progresso, os fundos disponíveis podem esgotar-se já em maio, colocando em risco programas do Ukraine Facility. Esforços diplomáticos continuam sem resultados concretos, com Zelensky a tentar relançar o diálogo.
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