- Em março, o exército russo não registou ganhos territoriais na Ucrânia, a primeira vez desde setembro de 2023.
- Em alguns setores, as forças ucranianas chegaram a reconquistar cerca de 9 km² na frente.
- Ao longo da frente, os ganhos russos em 2026 foram menores do que em 2025; no sul, entre Donetsk e Dnipropetrovsk, o domínio russo caiu de mais de 400 km² para 144 km² em março.
- O ISW aponta fatores como a proibição de usar o Starlink na Ucrânia e restrições ao Telegram, que têm contribuído para o abrandamento russo.
- Em março, a Rússia lançou 6.462 drones contra a Ucrânia, o maior número desde o início do conflito; os ataques com mísseis diminuíram de 288 para 138 face a fevereiro.
O exército russo não registou ganhos territoriais na Ucrânia em março, o que marca a primeira vez desde setembro de 2023. A informação foi recolhida pela ONG Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede em Washington, e confirmada pela AFP.
Em algumas zonas, as Forças Armadas russas recuaram perante as forças ucranianas. O ISW assinala que, no global da frente, o impulso fronteiriço diminuiu desde o fim de 2025, apesar de um avanço de 123 km2 em fevereiro. Em março, as forças ucranianas teriam recuperado 9 km2.
Ganhos territoriais estagnados
Segundo o ISW, os avanços russos desaceleraram devido às contra-ofensivas ucranianas e a restrições que, alegadamente, afetam a mobilidade de combate. A instituição aponta como fatores a suposta proibição de usar terminais Starlink na Ucrânia e os esforços russos para restringir o acesso ao Telegram.
Na região sul, entre Donetsk e Dnipropetrovsk, a Rússia perdeu terreno. A ocupação já tinha diminuído de 400 km2 em janeiro para 200 km2 em fevereiro, recuando para 144 km2 em março. Em contraste, no norte, próximo de Donetsk, as tropas russas avançaram cerca de 50 km2 em direção a Kramatorsk e Sloviansk.
Ataques de drones e balanço militar
Ao longo de 2025, a meteorologia estratégica apontava para que a Rússia, ainda assim, avançou mais do que nos 24 meses anteriores. Nos primeiros três meses de 2026, porém, os ganhos russos são significativamente inferiores aos de 2025 no mesmo período. Moscovo ocupa pouco mais de 19% do território ucraniano.
Em março, a Rússia lançou um número recorde de drones contra a Ucrânia: 6462 unidades, segundo dados ucranianos compilados pela AFP. Destes, quase mil foram disparados num único dia, a 24 de março, com oito mortos e dezenas de feridos. Os ataques, embora intensos, viram a Intercepção de 90% dos drones e mísseis pela defesa ucraniana.
Num dado adicional, houve uma ofensiva de grande escala na mesma semana, com 700 drones disparados em 24 horas, incluindo mais de 360 durante o dia. Este conjunto de ataques ocorreu um dia depois da Rússia ter rejeitado uma proposta de trégua para a Páscoa apresentada por Volodymyr Zelensky.
Contexto geopolítico
Quatro anos após o início da invasão, Moscovo controla pouco mais de 19% do território ucraniano, grande parte conquistada nos primeiros dias de conflito. Cerca de 7% já estavam sob controlo russo ou de separatistas pró-russos antes de 2022, incluindo a Crimeia e partes do Donbass.
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