- O governo iraniano afirma que não tem intenção de bloquear o Estreito de Ormuz, contrariando a promessa do recém-eleito aiatolá Mojtaba Khamenei de manter a via fechada.
- O embaixador do Irão na ONU, Ali Bahreini, disse à Euronews que a situação deve-se a uma guerra na região e que “há uma guerra em torno do Estreito de Ormuz”.
- Bahreini afirmou que Teerão continua a considerar o Estreito de Ormuz como o “Estreito da Paz” e que o corredor deve ser utilizado por todos, desde que não haja guerra ou ameaça.
- Desde 28 de fevereiro, ataques a navios de carga perto de Ormuz já causaram mortes e levaram a uma subida temporária do preço do petróleo acima de 100 dólares o barril.
- O embaixador reiterou que o Irão está preparado para lutar tanto quanto for necessário, mas está aberto a negociações e acusa os Estados Unidos de falharem na diplomacia.
O embaixador do Irão junto das Nações Unidas, em Genebra, afirmou à Euronews que Teerão não tem intenção de bloquear o Estreito de Ormuz, contrariando a promessa do recém-eleito aiatolá Mojtaba Khamenei de manter a via fechada. A declaração foi dada poucas horas antes de uma primeira comunicação pública do líder iraniano sobre o tema.
Segundo o embaixador, a situação no Estreito resulta de uma guerra na região e de confrontos entre forças envolvidas. Além disso, advertiu que ainda ocorre troca de tiros, enquanto o Irão afirma trabalhar para tornar o corredor seguro para o trânsito internacional, desde que não haja ataque.
A entrevista acontece num momento de incerteza sobre quem comanda a direção estratégica do Irão, após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei e o subsequente início de combates na região. Mojtaba Khamenei não tem aparecido em público desde o arranque do conflito.
Contexto internacional e contexto operacional
O diplomata reiterou que o Estreito de Ormuz é visto pelo Irão como uma via de paz, mantendo a posição de que o corredor deve permanecer utilizável por todos, desde que não haja ameaça ou guerra na região. Afirmou ainda que apenas navios de Estados envolvidos na guerra contra o Irão estariam sujeitos a limitações.
Incidentes recentes e impactos económicos
Desde 28 de fevereiro, têm sido alvo instalações energéticas e navios de carga na área de Ormuz, numa tentativa de prejudicar o comércio mundial de energia. Na última semana foram atingidos dois petroleiros perto do Iraque, resultando na morte de pelo menos uma pessoa e na subida provisória dos preços do petróleo.
O Estreito de Ormuz é uma passagem crítica para cerca de um quinto da produção global de petróleo e gás natural líquido, o que amplifica o impacto de qualquer escalada militar na região. O embaixador reconheceu efeitos económicos globais, sem deixar de afirmar a disponibilidade do Irão para resistir.
Posição de negociações e avaliação estratégica
Bahreini reiterou que o Irão está aberto a negociações e criticou a aparente falha da diplomacia liderada pelos EUA. Acrescentou que Washington não tem obtido ganhos na atual conjuntura e que os planos de confronto não se evoluíram como esperado.
O embaixador indicou que as forças iranianas têm preparado respostas proporcionadas para defender o país durante o período de conflito, com foco na dissuasão e na minimização de riscos para o território nacional.
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