- Gina Miller afirmou à Euronews que o próximo líder do Partido Trabalhista precisa de um plano claro para a relação do Reino Unido com a União Europeia, após o anúncio de demissão de Keir Starmer.
- A ativista criticou a falta de clareza de Starmer sobre o “realinhamento” com a UE e pediu uma estratégia mais firme para o relacionamento com Bruxelas.
- Está prevista uma ronda de conversações de reset pós-Brexit a 22 de julho, com a ideia de avançar para um acordo triplo entre Reino Unido e UE.
- Miller defende a oportunidade de um acordo de tipo suíço, que manteria portas abertas ao mercado europeu em setores específicos, embora a UE já tenha rejeitado esse modelo no passado.
- A economias britânica permanece fragilizada após o referendo, com estimativas de quebra em volta de cinco por cento do PIB, enquanto o Brexit continua a aprofundar a polarização política no país.
Gina Miller, ativista e empresária conhecida pelas ações judiciais que contestaram o Brexit, afirmou à Euronews que o próximo líder trabalhista precisa de um plano claro para a relação entre o Reino Unido e a União Europeia. A declaração ocorreu poucas horas após o anúncio de demissão do atual primeiro-ministro, Keir Starmer.
Miller tornou-se uma das vozes mais contestadas no cenário político britânico ao levar o governo aos tribunais por como conduziu o Brexit em 2016-17 e 2019. A ativista critica a falta de clareza sobre o rumo da relação com Bruxelas e o que chamou de realinhamento.
Apesar de Starmer ser visto como relativamente pró-europeu, Miller diz que o líder precisa apresentar uma estratégia firme para manter laços com a UE. Ela destaca a importância de transparência e da discussão no Parlamento para qualquer mudança significativa.
Rumo a um acordo diferente
A conversa inclui a possibilidade de o Reino Unido buscar um modelo próximo ao suíço, com acesso específico ao mercado europeu sem emular a adesão plena. Miller aponta a necessidade de ser claro sobre esse caminho, em vez de passos pequenos e fragmentados.
Ela ressalta que o ambiente político pode mudar com futuros protagonistas, mencionando a existência de forças políticas à direita que podem influenciar o curso das negociações. Segundo a ativista, qualquer acordo deve manter portas abertas a eventuais acordos futuros com a UE.
Miller também reforça que qualquer mudança precisa de aprovação parlamentar e de escrutínio público. Ela lembra que, no passado, ações judiciais defenderam o respeito pelos limites da lei e por mecanismos de tomada de decisão democrática.
Em termos económicos, Miller aponta que o Brexit, celebrado há dez anos, provocou impacto na economia britânica, com estimativas de redução do PIB por volta de 5% segundo economistas. O debate sobre o tema continua a dominar a agenda política.
Ela afirma que o país se tornou mais politicamente competitivo e que surgiram novos partidos, mas critica a falta de coragem de alguns políticos. A ativista sustenta que é essencial esclarecer as dificuldades e as opções disponíveis para um futuro mais estável.
Entre na conversa da comunidade