- França e Alemanha apelaram, na VivaTech em Paris, a uma soberania tecnológica europeia em IA para não ficar para trás.
- A suspensão pelo Estados Unidos do acesso aos últimos modelos da Anthropic foi citada como exemplo de mudanças rápidas nas regras.
- O ministro francês Roland Lescure afirmou que a preocupação é saudável, mas o medo não pode guiar decisões; quando França e Alemanha atuam juntos, a Europa avança.
- O ministro alemão Karsten Wildberger disse que soberania em IA não é proteccionismo, mas necessidade de ter capacidade de agir, com foco em centros de dados e cloud soberano; a Alemanha visa quadruplicar a capacidade de IA até 2030.
- Foi destacada a importância de iniciativas bilaterais França-Alemanha e do papel das startups europeias, com a perspetiva de que a Europa pode liderar, desde que haja coragem, ambição e disciplina para executar.
A abertura da VivaTech, em Paris, viu França e Alemanha lançarem um apelo conjunto pela soberania tecnológica europeia na área da IA, numa reação aos recentes obstáculos de acesso aos modelos avançados. Os governantes presentes foram o ministro francês da Economia, Roland Lescure, e o ministro alemão da Transformação Digital, Karsten Wildberger. O objetivo é acelerar a construção de capacidades europeias de IA, para evitar ficar à margem da próxima fase tecnológica.
Lescure destacou que a preocupação com os riscos da IA é saudável, mas não pode orientar todas as decisões. Enfatizou que a Europa não se deve mover sozinha e que a cooperação franco-alemã é essencial para que a Europa avance. Afirmou ainda que França e Alemanha podem conduzir o desenvolvimento dos próximos anos, apontando para uma década decisiva.
Wildberger, por sua vez, comentou a decisão dos EUA de restringir o acesso aos modelos mais avançados da Anthropic, realçando que as regras podem mudar de um dia para o outro. Defendeu que a soberania em IA é necessária para manter capacidade de ação, sem proteçãoisme, e afirmou que a Alemanha trabalha numa estratégia nacional para ampliar a capacidade de IA até 2030, incluindo uma infraestrutura de cloud soberana.
A autoridade alemã sublinhou que o esforço não pode ficar apenas a cargo do Estado e destacou o papel das startups, afirmando que a Europa tem potencial para inovar e crescer em escala. Os ministros apontaram iniciativas bilaterais entre França e Alemanha como ponto de partida prático para moldar o futuro tecnológico da região, defendendo que a união de capacidades pode transformar o panorama.
Cooperação prática e ambição europeia
Ambos os representantes ressaltaram que a Europa possui talento, empresas e ideias suficientes para avançar, desde que haja coragem, ambição e disciplina para escalar as soluções. A ideia central é evitar ser apenas espectador e consolidar uma base tecnológica europeia capaz de competir globalmente.
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