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UE deve agir antes de a China paralisar indústria europeia, diz líder do PPE

França pressiona a UE a agir contra a sobreprodução chinesa, alertando que um défice comercial diário de quase mil milhões de euros pode paralisar a indústria europeia

Manfred Weber fala no Parlamento Europeu, em Bruxelas, em maio de 2019.
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  • Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu, diz que a Europa precisa abrir um novo capítulo na relação com a China antes que Pequim paralise parte da sua indústria, alertando para um défice comercial de quase mil milhões de euros por dia.
  • Países como a França defendem uma postura mais firme face a Pequim, devido à sobreprodução chinesa e exportações a preços baixos que prejudicam a economia europeia já fragilizada.
  • A Comissão Europeia afirmou que a relação comercial com a China não é sustentável e que o défice é insustentável; o comissário Maroš Šefčovič vai aprofundar o diálogo com a China para solucionar o problema.
  • Weber defende o uso mais alargado de instrumentos de política comercial, incluindo tarifas sobre veículos elétricos chineses, e critica fundos da UE que beneficiaram empresas chinesas, citando o caso de autocarros a gás natural para o Senegal.
  • Embora a postura mais dura possa implicar custos, a UE encara a possibilidade de retaliação chinesa, como limitações à exportação de materiais críticos; a Europa mantém margem de pressão e depende do mercado único.

A União Europeia é instada a adotar medidas firmes frente à China antes de uma possível pressão que possa paralisar parte da indústria europeia. O alerta partiu de Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu, que, em declarações ao Bild am Sonntag, pediu um novo capítulo nas relações com Pequim.

Segundo Weber, a atual era exige uma defesa clara dos interesses económicos da UE e uma redefinição das regras que orientam o relacionamento com a China. A maturidade estratégica, afirmou, implica agir com decisividade em relação a práticas como a sobreprodução e a venda a preços abaixo do mercado.

Antes da cimeira europeia marcada para 18 de junho, diversos Estados-Membros, com a França na liderança, defendem uma linha mais firme. A preocupação central é o impacto da competitividade chinesa numa economia europeia já fragilizada.

Riscos, instrumentos e controvérsias

A Comissão Europeia indicou, a 29 de maio, que o estado atual da relação comercial com a China não é sustentável, destacando a necessidade de aprofundar o diálogo. O comissário do Comércio, Maroš Šefčovič, reuniu-se em Paris com Li Chenggang para discutir um défice comercial insustentável.

Weber reiterou, em entrevista, a ideia de que o défice comercial diário atingiria quase um mil milhões de euros e ameaça a base industrial europeia. Entre as medidas apontadas estão tarifas sobre veículos elétricos importados da China e uma utilização mais ampla de instrumentos de política comercial.

Atenção foi ainda dirigida a críticas sobre fundos da UE que, alegadamente, beneficiariam empresas chinesas. O exemplo citado envolveu financiamento para a aquisição de autocarros a gás natural para o Senegal, em que concorrência chinesa ganhou sobre proposta europeia.

O político recordou a necessidade de evitar repetição de casos em que ajuda ao desenvolvimento financiada por cidadãos europeus beneficia entidades de fora. Defendeu que quem deseje operar na UE respeite as regras comunitárias.

A possibilidade de uma resposta mais dura envolve riscos para a indústria europeia, sobretudo se Pequim optar por retaliações que incluam o corte de exportações de materiais críticos. Ainda assim, Weber sustenta que o acesso ao mercado único oferece poder de negociação relevante para exigir condições mais equitativas.

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