- Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, com publicação no Federal Register assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
- A designação enquadra os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT), autorizando o bloqueio de bens e fundos nos EUA.
- A decisão foi anunciada a 28 de maio, após um pedido de Flávio Bolsonaro, e recebeu oposição do Brasil, incluindo críticas de Lula da Silva.
- O Governo brasileiro teme implicações para a soberania e para operações como o Pix e o sistema financeiro nacional, ante eventuais sanções norte-americanas.
- O Brasil pretende ampliar a cooperação com os EUA em troca de informações, com planos de aumentar o intercâmbio entre autoridades fiscais e a cooperação em inteligência financeira.
O Governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras, e como Terroristas Globais Especialmente Designados. A decisão foi publicada no Federal Register nesta sexta-feira e assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. A medida decorre da perceção de risco que as ações dos grupos representam para cidadãos norte-americanos e para interesses dos EUA, incluindo a economia.
A designação autoriza o bloqueio de bens e de fundos dos dois grupos nos Estados Unidos, ampliando o controlo financeiro sobre as suas redes. A decisão envolve formalmente a classificação dos grupos como organizações terroristas, suspende novas transações e facilita ações legais contra patrimónios ligados aos grupos.
A notícia chegou após um pedido explícito do ex-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, feito durante visita à Casa Branca, e gerou resistência do Governo brasileiro. A Casa Branca manteve a cooperação com o Brasil para enfrentar o crime transnacional, incluindo intercâmbio de informações.
Impacto diplomático e económico são pontos centrais do debate entre os dois países. O Palácio do Planalto expressou receios sobre potenciais operações militares ou sanções, além de impactos em instrumentos como o Pix e bancos nacionais. O Brasil busca manter diálogo para evitar rupturas estratégicas.
A autoridade aduaneira brasileira destacou que, apesar de tensões, a cooperação internacional permanece relevante. Robson Barreirinhas afirmou que pretende ampliar a troca de informações com a Agência das Receitas dos Estados Unidos e fortalecer a cooperação técnica. O objetivo é identificar património de contribuintes brasileiros no exterior.
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