A União Europeia prepara uma nova legislação para obrigar construtores automóveis a diversificar a origem dos chips usados nos seus veículos. O projeto de lei, que a Comissão Europeia deverá apresentar em junho, impõe a compra a pelo menos dois fornecedores em casos específicos e exige uma avaliação da resiliência das cadeias de abastecimento nas decisões de compra. A medida surge na sequência de choques criados pela crise das semiconductoras.
Segundo fontes da UE, o objetivo é reduzir a dependência de um único fornecedor, especialmente ligado à China, num setor crítico como o automóvel. A iniciativa integra a revisão da Lei dos Chips 2, com um pacote que visa reforçar a soberania tecnológica europeia. A versão em discussão pode sofrer alterações até à apresentação formal.
A indústria automóvel tem enfrentado rupturas desde a pandemia, quando a procura global por eletrónica elevou a escassez de chips. Iniciou-se com a primeira Lei dos Chips, mas, na altura, o setor ficou de fora das obrigações mais rigorosas que obrigariam partilha de informação e medidas preventivas de stock.
Novo enquadramento regulatório
A mudança é catalisada pela empresa Nexperia, fabricante de chips sediada nos Países Baixos e controlada pela Wingtech, firma chinesa parcialmente de estado. A Nexperia detinha uma quota significativa do mercado europeu, sobretudo no segmento automóvel, o que elevou a sensibilidade do setor à dependência externa.
Em dezembro de 2024, a Wingtech ficou sob sanções norte-americanas por potenciais aplicações militares dos seus chips. O governo neerlandês assumiu temporariamente o controlo da Nexperia para impedir transferência de tecnologia para a China, levando Pequim a suspender exportações de chips produzidos na China.
Efeitos e custos da diversificação
A tarefa de diversificar fornecedores envolve custos, já que muitos fornecedores chineses recebem subsídios estatais e praticam preços baixos. A Comissão esclarece que a nova legislação não acrescenta encargos regulatórios, mas exige que os construtores avaliem riscos geopolíticos e não apenas económicos.
Para Bruxelas, a diversificação visa aumentar a autonomia estratégica europeia, reduzindo a exposição a fornecedores considerados de risco. A medida pode fomentar a produção doméstica e a criação de uma base mais resiliente para o setor automóvel em momentos de crise.
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