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Europa pressiona construtores automóveis a diversificar fornecedores de chips

UE obriga construtores automóveis a comprar chips de pelo menos dois fornecedores e considerar a resiliência da cadeia de abastecimento, após crise da Nexperia

Devido à falta de chips, há bem menos carros novos prontos para entrega numa das duas "torres de automóveis" da fábrica da Volkswagen, na Alemanha
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  • A União Europeia prepara regras que obrigarão construtores automóveis a comprar chips a pelo menos dois fornecedores em determinados casos e a considerar a resiliência das cadeias de abastecimento nas decisões de compra.
  • A medida faz parte da revisão da Lei dos Chips, conhecida como Chips 2, cuja apresentação formal pela Comissão Europeia está prevista para 3 de junho.
  • O objetivo é reduzir a dependência de um único fornecedo r, especialmente da China, após a crise exposta pela fabricante Nexperia ( Wingtech ), com participação significativa no mercado automóvel europeia.
  • A situação se agravou quando a China interrompeu exportações de chips produzidos na China, em resposta a sanções sobre a Wingtech, levando o governo neerlandês a intervir para impedir a transferência de tecnologia.
  • A Comissão defende que diversificar fornecedores fortalece a autonomia tecnológica europeia, ainda que haja custos económicos, com os responsáveis a sublinhar que a proposta não adiciona encargos regulatórios adicionais às empresas.

A União Europeia prepara uma nova legislação para obrigar construtores automóveis a diversificar a origem dos chips usados nos seus veículos. O projeto de lei, que a Comissão Europeia deverá apresentar em junho, impõe a compra a pelo menos dois fornecedores em casos específicos e exige uma avaliação da resiliência das cadeias de abastecimento nas decisões de compra. A medida surge na sequência de choques criados pela crise das semiconductoras.

Segundo fontes da UE, o objetivo é reduzir a dependência de um único fornecedor, especialmente ligado à China, num setor crítico como o automóvel. A iniciativa integra a revisão da Lei dos Chips 2, com um pacote que visa reforçar a soberania tecnológica europeia. A versão em discussão pode sofrer alterações até à apresentação formal.

A indústria automóvel tem enfrentado rupturas desde a pandemia, quando a procura global por eletrónica elevou a escassez de chips. Iniciou-se com a primeira Lei dos Chips, mas, na altura, o setor ficou de fora das obrigações mais rigorosas que obrigariam partilha de informação e medidas preventivas de stock.

Novo enquadramento regulatório

A mudança é catalisada pela empresa Nexperia, fabricante de chips sediada nos Países Baixos e controlada pela Wingtech, firma chinesa parcialmente de estado. A Nexperia detinha uma quota significativa do mercado europeu, sobretudo no segmento automóvel, o que elevou a sensibilidade do setor à dependência externa.

Em dezembro de 2024, a Wingtech ficou sob sanções norte-americanas por potenciais aplicações militares dos seus chips. O governo neerlandês assumiu temporariamente o controlo da Nexperia para impedir transferência de tecnologia para a China, levando Pequim a suspender exportações de chips produzidos na China.

Efeitos e custos da diversificação

A tarefa de diversificar fornecedores envolve custos, já que muitos fornecedores chineses recebem subsídios estatais e praticam preços baixos. A Comissão esclarece que a nova legislação não acrescenta encargos regulatórios, mas exige que os construtores avaliem riscos geopolíticos e não apenas económicos.

Para Bruxelas, a diversificação visa aumentar a autonomia estratégica europeia, reduzindo a exposição a fornecedores considerados de risco. A medida pode fomentar a produção doméstica e a criação de uma base mais resiliente para o setor automóvel em momentos de crise.

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