- Ivo Daalder, antigo embaixador dos EUA na NATO, afirma que as ameaças de Trump de abandonar a aliança e o envolvimento militar no Irão criaram a “pior crise” que a NATO já enfrentou.
- Daalder diz que as últimas seis semanas foram extraordinariamente prejudiciais para a NATO, que passa a ser vista como dividida entre aliados históricos.
- O ex-embaixador sustenta que as declarações de Trump sobre não defender aliados desestabilizam a aliança e a ordem mundial, potencialmente testando a NATO em Moscovo e Taiwan.
- A guerra contra o Irão é descrita como gasto excessivo de recursos militares dos EUA, com grandes volumes de mísseis consumidos na campanha de bombardeamentos.
- O responsável comenta ainda que o Estreito de Ormuz permanece sob controlo iraniano, afetando rotas marítimas internacionais e preços de energia, com pouca clareza sobre como o tráfego será protegido.
Ivo Daalder, antigo embaixador dos EUA na NATO, afirma que as recentes palavras do Presidente Donald Trump sobre a potencial saída dos EUA da aliança e o empenho militar no Irão fragilizam significativamente a NATO. O especialista considera que a ordem mundial fica abalada pela indisponibilidade dos EUA em defender aliados frente a agressões futuras.
Em entrevista à Euronews, Daalder descreve a situação como a pior crise já enfrentada pela NATO. O ex-embaixador sustenta que as declarações sobre defesa mútua colocam em risco a unidade da aliança, que tem histórico de tensões entre EUA e Europa na última década.
Atenção também ao envolvimento dos EUA no Golfo: segundo Daalder, o longo conflito com o Irão esgotou recursos militares dos EUA, especialmente mísseis interceptores. Além disso, parte da capacidade norte-americana foi deslocada para operações no Golfo, reduzindo disponibilidade global.
Perspectivas e movimentos diplomáticos
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, visita Washington para reuniões com Trump, o secretário de Estado e o ministro da Defesa, na tentativa de reduzir a hostilidade entre os EUA e os aliados europeus. A manhã de negociações indica interesse em estabilizar a aliança.
Daalder aponta que o Irão parece ter vantagem no cenário de cessar-fogo negociado recentemente, que visa reabrir o Estreito de Ormuz sob controle iraniano. A reabertura depende de autorização das forças iranianas, segundo as informações, gerando incerteza sobre a passagem de mercadorias.
Os efeitos económicos da incerteza prosseguem. O possível encerramento ou controlo reforçado do estreito elevou o preço do gás e do petróleo a nível mundial. O que acontecerá com o trânsito marítimo e com o fluxo de energia permanece incerto.
Estreito de Ormuz e impactos internacionais
O estreito permanecia aberto antes dos bombardeamentos, mas o controlo atual pelo Irão levanta dúvidas sobre quando e como navios poderão atravessar. A ausência de datas definitivas aumenta a volatilidade no comércio internacional de energia.
Daalder descreve a situação como um deslocamento estratégico de grande impacto para os EUA e para Israel, com consequências que vão além da região. O analista sustenta que a NATO enfrenta um momento de teste quanto à coesão entre aliados.
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