- António Costa, presidente do Conselho Europeu, pediu à UE que defenda sempre a ordem internacional baseada em regras, mesmo que outros a ignorem.
- Costa aponta que a China perturba o comércio, a Rússia viola o direito internacional e os Estados Unidos desafiam a ordem vigente, defendendo uma política externa multidimensional.
- Ursula von der Leyen, por sua vez, pediu uma política externa pragmática, orientada pelos interesses e pela realidade do mundo tal como é, não como deveria ser.
- A Comissão Europeia defende manter o sistema baseado em regras, mas reconhece que este já não basta para proteger os interesses europeus num mundo caótico e transacional.
- Existem tensões entre Estados-membros sobre a legitimidade da guerra, com Pedro Sánchez a classificar a situação como ilegal e Friedrich Merz a dizer que não é o momento para a UE dar lições aos aliados.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, pediu aos embaixadores que a UE continue a defender a ordem internacional baseada em regras, mesmo que outros países atuem de forma diferente. Ao mesmo tempo, Ursula von der Leyen defendeu uma política externa pragmática, orientada para interesses, baseada na realidade do mundo atual.
Costa afirmou que a UE não deve tolerar violações do direito internacional, citando Estados Unidos, Rússia e China como forças disruptivas no comércio e na segurança. Assente nos Tratados da UE e na Carta das Nações Unidas, a resposta do bloco passa por uma política externa multidimensional para evitar maior fragmentação global.
O bloco deve denunciar violações do direito internacional, referindo-se a áreas desde Ucrânia até Gronelândia, incluindo Venezuela, Gaza e Médio Oriente. Costa reconheceu que o Irão merece viver em liberdade, mas sugeriu que bombas por si só não asseguram esse resultado, numa altura em que a operação militar entre EUA e Israel entra na segunda semana.
A legitimidade da guerra gerou tensão entre os Estados-membros da UE. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, descreveu a ação como ilegal, recusando uma extensão do conflito. Por seu lado, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que este não é o momento para a UE lidar com lições aos aliados.
Comentários contraditórios
Na mesma conferência, von der Leyen apresentou um discurso que indicou que a guerra é um facto, com debates políticos a ter menor impacto no desfecho. A presidente da Comissão pediu aos embaixadores uma política externa mais realista, orientada para interesses, num contexto de caos e transações internacionais.
Von der Leyen reforçou que a Europa não pode continuar a ser apenas guardiã da antiga ordem mundial, mantendo o compromisso com um sistema baseado em regras, mas admitindo que já não pode confiar nele como única defesa dos seus interesses. Ela destacou ainda que a UE tem aumentado o seu papel geopolítico desde 2019.
O texto descreve uma reformulação de papéis dentro da UE. Embora a Comissão seja vista como guardiã dos tratados, há quem interprete que a função de política externa tem crescido em importância. Desde 2022, a liderança europeia tem expandido competências em defesa e política externa.
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