- A Europa diversificou fornecedores de gás após a invasão da Ucrânia e aumentou as importações de gás natural liquefeito (GNL), mas permanece vulnerável a choques de preços e a tensões geopolíticas.
- Em dois mil e vinte e um, a Rússia fornecia mais de quarenta e três por cento do gás da União Europeia; atualmente, o GNL vindo dos Estados Unidos representa cerca de um quarto do abastecimento, ficando a Noruega como principal fornecedor.
- O modelo atual tornou a Europa mais resiliente face a mudanças de fornecedor, mas também mais suscetível à volatilidade do mercado global de gás natural liquefeito.
- Na crise, o principal risco tende a ser o aumento de preços e a concorrência pelos carregamentos, em vez de simples cortes físicos no abastecimento.
- Algumas vozes críticas defendem que a diversificação é insuficiente e alertam para custos e vulnerabilidades, sugerindo que Portugal proteja ativos estratégicos do setor energético, evitando, por exemplo, a venda da Galp.
A Europa diversificou a sua energia após a invasão da Ucrânia em 2022, reduzindo a dependência do gás russo. As mudanças incluem maior foco no gás natural liquefeito (GNL) e novos fornecedores, para evitar choques de abastecimento.
Especialistas indicam que a lição principal foi não depender de um único fornecedor externo, especialmente quando há riscos geopolíticos. O impacto da crise levou a UE a diversificar as fontes de gás.
Antes da crise, a Rússia respondia por uma fatia significativa das provisões da UE, mas o GNL dos EUA tornou-se o segundo maior fornecedor, atrás da Noruega, com cerca de um quarto do abastecimento.
Para os analistas, o novo modelo torna a Europa mais resiliente ao permitir mudanças de fornecedoras com maior agilidade, embora aumente a exposição à volatilidade dos mercados globais.
Ainda assim, a volatilidade dos preços pode intensificar-se em choques futuros, com competição elevada por navios-tanques e cargueiros de GNL. O cenário pode não exigir cortes físicos, mas preços elevados.
Perspetivas de especialistas
O professor João Borges de Assunção destaca que a crise evidenciou que a segurança energética é também gestão de riscos operacionais, não apenas custo. A diversificação reduziu o peso de um único fornecedor.
Já o economista Ricardo Cabral é mais crítico, sugerindo que a resposta europeia gerou custos para indústria e famílias, devido às sanções e à inflação. Adverte para potenciais novas rupturas.
Cabral entende que a narrativa de diversificação é falível e ressalva riscos de dependência dos mercados globais de GNL, sobretudo face a tensões no Médio Oriente e a mudanças no abastecimento.
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