- A S&P Global prevê um 2026 sólido para os bancos britânicos, com crescimento das receitas e da rentabilidade, especialmente no Barclays, Lloyds e NatWest.
- Espera-se que o lucro antes de impostos aumente, com receitas a superar despesas, ainda que haja custos com tecnologia, inflação salarial e reestruturação.
- A qualidade de crédito deve deteriorar-se ligeiramente, mas manter-se perto da média histórica; as provisões no setor automóvel ajudam a limitar riscos de rendimentos.
- Fatores que influenciam os perfis de crédito: consolidação (aquisições), maior concorrência de neobancos e fintechs, inovação (inteligência artificial e tokenização) e regulação, que pode pressionar ratings.
- Rácios de capital, financiamento e liquidez devem manter-se estáveis em 2026; Basel III.1 entra em vigor em 2027 e pode levar a ajustes, enquanto riscos incluem geopolítica, cibersegurança, desempenho económico fraco e volatilidade de ações.
Os bancos britânicos podem ter um 2026 sólido, segundo a S&P Global. A agência de rating prevê receitas em melhoria e rentabilidade mais robusta no Reino Unido, com um quadro operacional estável e margens suportadas por rendimentos estruturais de cobertura. O cenário aponta para ganhos de lucratividade antes de impostos, sobretudo para grandes instituições.
A S&P destaca que o aumento de receitas dependerá de um crescimento moderado de ativos, de um balanço de depósitos estável e de margens que devem melhorar, com especial foco no Barclays, Lloyds e NatWest. Já as despesas deverão subir, impulsionadas por investimentos tecnológicos, salários e reestruturação de recursos humanos.
A agência aponta que não se antecipam novos grandes riscos para rendimentos decorrentes de provisões setoriais no automóvel. Contudo, a qualidade de crédito pode deteriorar-se algo, mantendo-se perto da média histórica, de acordo com a S&P.
Fatores de influência no crédito e no mercado
Segundo a S&P, o perfil de crédito dos bancos britânicos depende de quatro pilares: consolidação com aquisições entre grandes bancos e fintechs; concorrência, acentuada pelas neobanks; inovação, especialmente IA e tokenização; e regulação, com a possibilidade de maior simplificação a pressionar ratings em alguns casos.
No terreno neutro ficam o capital, o financiamento e a liquidez. As previsões apontam para rácios de capital estáveis em 2026, com ajustes esperados por alguns bancos face à entrada em vigor, em 2027, das regras Basileia 3.1. Também o financiamento e a liquidez devem manter-se estáveis no próximo ano.
Riscos e incertezas para 2026
A S&P enumera riscos relevantes para 2026. Tensionamentos geopolíticos continuam presentes, com impacto na cibersegurança devido à dependência de outsourcing. Um desempenho económico mais fraco e finanças públicas vulneráveis podem reduzir a procura de crédito e prejudicar a qualidade dos ativos.
Mudanças no sentimento dos investidores podem provocar correções abruptas no preço das ações. A ligação entre bancos e instituições não bancárias é citada como fator adicional de incerteza. Por fim, a agência não acredita que a simplificação regulatória vá reduzir de forma material a supervisão, sobretudo nos grandes bancos.
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