- Morreu Aldrich Ames, ex-agente da CIA, aos 84 anos, na Federal Correctional Institution de Cumberland, Maryland, onde cumpria prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
- Ames morreu na segunda-feira, mantendo-se cumprindo a pena estabelecida após a condenação em 28 de abril de 1994.
- Foi condenado por vender informação secreta à União Soviética e, depois, à Rússia, envolvendo mais de 100 operações clandestinas e revelando a identidade de mais de 30 espiões ocidentais, com pelo menos dez agentes da CIA mortos.
- Iniciou a traição em 1985, alegando necessidade de dinheiro para pagar dívidas, recebendo cerca de 2,5 milhões de dólares ao longo de nove anos.
- A carreira na CIA durou 31 anos (iniciada em 1962); tornou-se chefe do departamento de contrainteligência soviética em 1983, antes de ser detido em 1994.
Aldrich Ames, antigo oficial da CIA, morreu aos 84 anos na Federal Correctional Institution de Cumberland, em Maryland, na segunda-feira. O ex-agente, que se tornou agente duplo ao vender segredos à União Soviética e depois à Rússia, cumpria pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. A notícia público-se apenas como informação factual, sem julgamento.
Ames foi condenado a 28 de abril de 1994, depois de admitir a venda de informações confidenciais a agências estrangeiras. A investigação revelou que comprometeu mais de 100 operações e expôs a identidade de mais de 30 espiões ocidentais, com pelo menos dez agentes da CIA mortos como consequência. A motivação alegada foi financeira para pagar dívidas.
Segundo autoridades, o agente iniciou as traições em abril de 1985, recebendo o codinome Kolokol, o Sino, pela KGB. Ao longo de quase uma década, ter-lhe-ia rendido cerca de 2,5 milhões de dólares, possibilitando um estilo de vida luxuoso, com carro de luxo, viagens no estrangeiro e uma casa avaliada em 540 mil dólares.
Trajetória na CIA e início da traição
A carreira de Ames na CIA estendeu-se por 31 anos, começando em 1962, impulsionada pelo pai, também analista da agência. Durante esse período, casou-se duas vezes, com a colega Nancy Segebarth e posteriormente com Maria del Rosario Casas Dupuy, funcionária da embaixada colombiana em Washington que também foi associada ao caso.
Ao longo do tempo surgiu associações problemáticas com álcool e várias violações de segurança, incluindo um incidente em que deixou uma pasta com informações confidenciais num metro. Ainda assim, chegou a chefiar o departamento de contrainteligência soviética da CIA, em 1983.
A traição prolongou-se até à detenção, em 21 de fevereiro de 1994, após uma investigação iniciada no ano anterior. O então diretor da CIA, R. James Woolsey, descreveu Ames como um traidor maligno, destacando que as operações expostas contribuíram para mortes entre os agentes da agência.
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