- O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que o setor da IA revele o custo ambiental real e lançou a Iniciativa de Transparência Ambiental da IA.
- Um estudo da ONU indica que os centros de dados que alimentam a IA consumiram cerca de 448 TWh de eletricidade em 2025, o que, se fosse um país, colocaria a IA em 11.º lugar mundial no consumo.
- As empresas de IA devem comprometer-se a alimentar os seus centros de dados com energia renovável até ao final da década.
- Guterres também apelou a uma ação global sobre o metano, com metas de emissões próximas de zero em toda a cadeia de valor, destacando que reduzir fugas de metano pode evitar cerca de 30% das emissões de combustíveis fósseis.
- O mundo enfrenta crises climáticas e energéticas, com 2024 a registarem-se recordes de calor; a energia renovável já representa mais de um terço da matriz elétrica global e a queima de combustível fóssil tem tendência de queda em várias regiões.
António Guterres pediu, durante a Semana de Ação Climática em Londres, que o setor da IA revele o seu custo ambiental real. O secretário-geral da ONU defendeu transparência sobre carbono, água e uso de terra associadas às operações de IA e de serviços digitais. O objetivo é evitar custos ocultos e justificar investimentos.
Segundo um estudo da ONU, os centros de dados que alimentam a IA consumiram aproximadamente 448 TWh em 2025, o que, em termos de energia, colocaria esse setor em 11.º lugar a nível mundial, logo à frente da França. O líder mundial anunciou a criação da Iniciativa de Transparência Ambiental da IA para medir e divulgar a pegada das grandes companhias.
Guterres exemplarizou a necessidade de energia renovável nos centros de dados até ao fim da década e afirmou que as comunidades devem conhecer o impacto ambiental da infraestrutura tecnológica. Além disso, lançou um apelo global para reduzir as emissões de metano em toda a cadeia de valor, com foco na indústria do petróleo e gás, na queima de gás natural e no setor agrícola e de resíduos.
Iniciativa de Transparência Ambiental da IA
A ONU apresentou um plano para que gigantes da IA obtenham métricas padronizadas de carbono, água e terra associadas às suas operações. A meta é publicar dados de pegada ambiental de forma comparável e verificável, promovendo decisões de investimento mais responsáveis.
O relatório sublinha que detectar e reparar fugas de metano pode evitar até 30% das emissões de combustíveis fósseis sem custo adicional, segundo a Agência Internacional de Energia. Em 2025 teriam sido queimados cerca de 167 mil milhões de metros cúbicos de gás, equivalente ao consumo anual de África.
Mudanças climáticas e energia global
Guterres apontou que o aquecimento global é agravado pela dependência de combustíveis fósseis. Relembrou os recordes de calor atuais na Europa e indicou que é necessário agir com maior urgência para manter o aumento de temperatura abaixo de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais.
Dados do Copernicus indicam que a temperatura média global subiu acima do limite em ciclos recentes, com 2024 a destacar-se pelo recorde de calor, seguindo 2023 e 2025. A ONU destacou avanços na energia renovável, cuja quota já representa mais de um terço da matriz elétrica mundial em 2025.
Guterres relatou que a transição energética é desigual, com os EUA a intensificar o uso de carvão sob a atual administração, enquanto a China mantém impulso na energia limpa. O secretário-geral associou estas dinâmicas ao atual choque energético global, referido como a mãe de todos os choques.
Chamado à ação
O líder da ONU apelou à ação imediata de grandes emissores para cumprir metas climáticas e afirmou que não basta confiar num sistema dependente de combustíveis fósseis. O discurso encerrou com o reconhecimento de que a crise climática e energética tem origem comum: combustíveis fósseis.
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