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Mais energia renovável pode desatar o nó do estreito de Ormuz

A UE pode mitigar a vulnerabilidade ao Estreito de Ormuz ao acelerar a transição para energias renováveis, reduzindo dependência de fósseis e volatilidade dos preços

Parque eólico offshore WindFloat Atlantic, ao largo de Viana do Castelo
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  • A União Europeia pode reduzir a vulnerabilidade a choques dos combustíveis fósseis ao acelerar a transição para energias renováveis, seguindo o exemplo de Portugal e Espanha.
  • O estreito de Ormuz continua a ser uma passagem crucial, respondendo por cerca de 20% do gás e petróleo globais; a Agência Internacional de Energia prevê uma quebra na procura de petróleo de 80 mil barris por dia e o preço do crude do mar do Norte situa‑se em 130 dólares por barril.
  • Desde o início do conflito no Médio Oriente, a UE já gastou 22 mil milhões de euros a mais com combustíveis fósseis; a Comissão Europeia deve apresentar propostas de medidas para os preços da energia a 22 de abril.
  • O mercado ibérico, com Portugal e Espanha, é citado como exemplo por ter menor dependência do gás e preços relativamente mais baixos, devido à forte penetração de renováveis e ao isolamento energético da região.
  • Especialistas defendem mais investimento em renováveis, coordenação europeia e medidas de emergência que acelerem a electrificação, incluindo apoio a veículos elétricos e possíveis subsídios, para aumentar resiliência.

O bloco de Ormuz volta a colocar pressão nos mercados globais de energia. A AIE antecipa que o estreito pode reduzir a procura mundial de petróleo em 80 mil barris por dia, num cenário de forte dependência de fósseis e de disparidade de preços. Questões ambientais e de geopolítica ganham destaque.

A União Europeia vem sendo impactada pelo bloqueio de fluxos energéticos, com os seus custos de importação de combustíveis fósseis a subir. Em 2025, cada cidadão pagou cerca de 880 euros pelas importações, agravando custos para famílias e empresas.

A energia é hoje objeto central da discussão pública. O BCE, por meio de Frank Elderson, defende que acelerar a transição para renováveis poderia reduzir a sensibilidade dos preços nacionais às oscilações globais. O objetivo é descolar a energia do gás e do petróleo.

Energia sustentável

Especialistas citam Portugal e Espanha como casos de sucesso na transição para renováveis, o que ajudaria a mitigar choques externos. O mercado ibérico, menos ligado ao resto da UE, mantém preços mais estáveis graças ao peso das renováveis.

Análise de investigadores do E3G mostra que a dependência de combustíveis fósseis aumenta a volatilidade dos preços. Em Portugal e Espanha, a dissociação entre preço da electricity e do gás fortalece a resiliência energética.

A Comissão Europeia promete propostas para alinhar preços de energia, ainda este mês. Enquanto isso, o relatório de 2025 aponta que a UE pagou 386 mil milhões de euros pela importação de fósseis, mais do que o investimento em energias limpas.

Caminho ibérico

O Mibel, que agrega Portugal e Espanha, funciona como uma ilha energética com elevada participação de renováveis. A queda da dependência de gás tem reduzido o custo da eletricidade em relação a outros mercados europeus.

Segundo analistas, a comparação entre Itália e Ibéria é inequívoca: gás pesou menos no preço da eletricidade em Espanha e Portugal, até março, levando a preços bem mais baixos.

Os especialistas sublinham a necessidade de respostas coordenadas a nível europeu, para manter a evolução estrutural em renováveis. Medidas de curto prazo não devem comprometer o timing da transição verde.

O panorama aponta que eventuais intervenções a curto prazo podem ser compatíveis com investimento contínuo em renováveis. A meta é reduzir a vulnerabilidade aos choques petrolíferos e acelerar a electrificação.

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