- A guerra no Irão elevou os preços da energia na União Europeia, com o gás a subir cerca de 70% e o petróleo cerca de 60%, aumentando preocupações sobre o abastecimento.
- A UE tenta manter a neutralidade climática até 2050, mas enfrenta pressão para manter energia a preços acessíveis, com alguns Estados-membros a ponderar recuar para o carvão.
- Itália adiou a eliminação gradual do carvão para 2038, enquanto Alemanha e outras capitais discutem medidas de último recurso para evitar falhas de fornecimento.
- O comissário da Energia, Dan Jørgensen, defende a continuar da transição ecológica, destacando eletrificação, renováveis e redes elétricas modernizadas como caminho principal.
- Espanha e Portugal aparecem como exemplos de resistência a choques devido à operação com maior quota de renováveis; há apelos para acelerar a expansão de renováveis, eficiência energética e interligação de redes.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e o Irão está a influenciar a política energética da União Europeia. O aumento dos preços da energia ameaça a transição climática, já que o bloco precisa equilibrar a estabilidade energética com a meta de neutralidade até 2050.
Com o custo da energia a subir e o receio de interrupções no abastecimento, a UE procura manter o rumo da descarbonização sem agravar as contas das famílias e empresas. Alguns países consideram medidas de apoio temporário aos consumidores, que podem atrasar o investimento em renováveis.
O fenómeno combina ainda o encerramento do Estreito de Ormuz e a volatilidade dos mercados de petróleo e gás. A UE teme impactos prolongados nos preços, mesmo após eventual resolução do conflito.
Desde o início dos ataques contra o Irão, no fim de fevereiro, os preços do gás na UE subiram significativamente, seguidos de aumentos no petróleo. Analistas esperam uma volatilidade elevada de curto a médio prazo.
Apesar do cenário, a UE reforça a importância da transição ecológica, destacando que a dependência de combustíveis fósseis deixa o bloco exposto a choques externos.
“Estamos a fazer tudo o que for possível para evitar repetir a surpresa. É necessário acelerar a independência energética”, afirmou o comissário para a Energia, Dan Jørgensen, junto dos eurodeputados.
Dos preços às preocupações com o abastecimento
Na sequência de uma reunião de emergência dos ministros da Energia, o comissário manteve a defesa da transição para energia limpa, enfatizando a eletrificação e a modernização das interligações como caminhos cruciais.
Os Estados-membros conservam o direito de definir o seu mix energético, porém devem cumprir regras da UE para alcançar a neutralidade até 2050, o que implica reduzir as emissões.
Alguns países defendem flexibilizar a legislação climática ou recorrer ao carvão como resposta de curto prazo. A Alemanha e a Itália têm, no entanto, mostrado pouca probabilidade de um regresso generalizado ao carvão, segundo especialistas.
A Itália adiou a eliminação gradual do carvão para 2038, apresentando a medida como de proteção contra escassez de gás. Analistas recordam que as centrais a carvão italianas estão envelhecidas e pouco investidas.
Ainda assim, a posição oficial mantém o foco na energia limpa, com a Alemanha a prolongar investimentos em eólicas e Itália a avançar com financiamento para hidrogénio renovável.
O caminho ecológico da UE
A UE continua a ressaltar que energia eólica e solar produzida internamente é mais barata do que combustíveis fósseis importados. Em 2025, a energia renovável custa significativamente menos por MWh do que o gás importado, mas os custos já subiram com a crise.
Desde o choque energético causado pela invasão da Ucrânia, o bloco aposta na renovação da rede eléctrica para facilitar a integração de fontes limpas e reduzir restrições de fornecimento. A Comissão tem planos para acelerar estas obras.
Especialistas apontam que reduzir a dependência externa de petróleo e GNL é essencial para proteger a economia europeia de choques recorrentes. O debate inclui um reforço da eletrificação e da eficiência energética.
O ministro francês da Energia indicou medidas para acelerar a eletrificação e reduzir a dependência de fósseis até 2030, com metas para transporte, edifícios e bombas de calor.
Espanha e Portugal protegidos da escalada dos preços
Espanha e Portugal são apontados como exemplos de resiliência, graças à forte participação de renováveis na geração. Estas matérias ajudam a manter contas elétricas mais estáveis face aos níveis observados noutros países.
Madrid e Lisboa beneficiam de matriz com solar, eólica e hidráulica, embora permaneçam vulneráveis à volatilidade global de preços. A disponibilidade de energia limpa favorece uma maior independência energética.
A UE pretende acelerar a expansão das renováveis e melhorar a eletrificação para reforçar competitividade industrial. A Comissão Europeia prepara planos de segurança energética, com foco em aquecimento e refrigeração.
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