- Cuba restabeleceu gradualmente a energia após um novo apagão generalizado, o sexto em pouco mais de um ano.
- Ao meio-dia desta terça-feira, cerca de 45% das habitações em Havana já tinham energia, num universo de 1,7 milhões de habitantes.
- As autoridades não detalharam a origem da falha e indicaram que não foi detetada avaria na rede.
- A recuperação cobriu desde Pinar del Río, no extremo oeste, até Holguín, no centro-leste, abrangendo mais de dois terços do território.
- O Governo diz que sanções dos EUA dificultam reparos; analistas apontam subinvestimento estatal e, na sequência, a diáspora cubana poderá investir na ilha, incluindo na rede elétrica.
Cuba restabeleceu gradualmente o fornecimento de eletricidade após um novo apagão generalizado, ocorrido na segunda-feira ao meio-dia. Na terça-feira, já era possível notar recuperação em várias zonas, com a UNE a indicar que cerca de 45% dos lares de Havana estavam novamente ligados.
O país enfrenta o sexto apagão em pouco mais de um ano, em meio a uma grave crise energética. O Governo atribui as dificuldades às sanções dos EUA, que proibem a venda de petróleo venezuelano e ameaçam tarifas para quem o forneça.
Ao meio-dia de terça-feira, o restabelecimento estendia-se de Pinar del Río, no extremo oeste, até Holguín, no centro-leste, cobrindo mais de dois terços do território.
Contexto económico e energético
Já de manhã, residentes descreviam temores com a duração do corte, por receio de que o pouco de energia existente não fosse suficiente para manter frigoríficos. A população assinala rotinas sem luz e cortes diários.
O Governo cubano afirma que as sanções dificultam a reparação da rede, embora economistas ressaltem o subinvestimento crónico do Estado no setor elétrico. As autoridades buscam medidas para aumentar a produção e normalizar o suministro.
Na segunda-feira, Havana anunciou que a diáspora cubana, sobretudo nos Estados Unidos, pode investir na ilha em infraestruturas e na rede elétrica, com a possibilidade de criar empresas próprias no território.
O ministro do Comércio Exterior e do Investimento Estrangeiro, Oscar Pérez-Oliva Fraga, afirmou que o país pretende manter relações comerciais com empresas dos EUA e com cubanos residentes, sem detalhar prazos ou condições.
A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, tem vindo a atravessar cortes de energia generalizados há mais de dois anos, a vezes com duração de vários dias. As entregas de petróleo venezuelano estão interrompidas há dois meses, e Washington ameaça novas sanções.
Havana indicou, entretanto, que tem havido negociações com a Venezuela sobre o fornecimento de petróleo, reconhecendo avanços, sem esclarecer prazos.
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