- O comércio direto entre a UE e o Irão é muito pequeno, cerca de 0,03% das importações da UE, devido a sanções antigas.
- Perturbações no Golfo, especialmente no Estreito de Ormuz, mantêm as economias europeias expostas, dada a dependência global de petróleo e gás.
- Em 2023, cerca de 20 milhões de barris de petróleo passaram diariamente por Ormuz, equivalente a um quinto do consumo mundial; também circula aproximadamente um quinto do gás natural liquefeito (GNL) mundial por aquela rota.
- Estudo do Instituto ifo indica que cerca de 6,2% das importações de petróleo bruto da UE e 8,7% do GNL transitam por Ormuz; alterações de preço podem subir a inflação europeia.
- A situação levou o G7 a libertar 400 milhões de barris de reservas estratégicas; na UE, Alemanha, Espanha e Itália são os maiores importadores de petróleo, seguidos de Países Baixos e França, com impactos esperados em energia, transporte e custos de produção.
O conflito no Irão, parte das tensões no Médio Oriente, pressiona a inflação e os custos energéticos na UE mesmo sem grande comércio direto com Teerão. Dados da Eurostat indicam que as importações iranianas representam apenas 0,03% do total da UE, devido às sanções.
As perturbações no Golfo elevam preços globais de petróleo e gás, especialmente pela importância estratégica do Estreito de Ormuz, entre o Irão e Omã. Em 2023, cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia passaram pela passagem, o que corresponde a um quinto do consumo mundial de líquidos petrolíferos.
Um quinto do gás natural liquefeito mundial também transita pelo Estreito. Estimativas do ifo apontam que cerca de 6,2% das importações europeias de petróleo bruto e 8,7% do GNL vêm por ali, tornando a UE vulnerável a cortes ou choques de transporte.
Os preços mais altos de energia afetam diretamente a atividade económica europeia, com impactos mensuráveis na inflação e no poder de compra, sobretudo em setores intensivos em energia. A autoridade económica Bruegel aponta para esse efeito agregado na região.
Na prática, a Europa depende de mercados globais de energia. A UE importa petróleo do Médio Oriente, incluindo cerca de 7% da Arábia Saudita e 5,7% do Iraque, em 2024. Os EUA aparecem como principal fornecedor, seguidos pela Noruega e pelo Cazaquistão.
A dependência de poucos países para o petróleo bruto resulta em exposição por país. Em 2023, a Alemanha importou cerca de 77 milhões de toneladas, a Espanha 62 milhões e a Itália 61 milhões. Juntos, estes três países respondem por quase dois terços das importações da UE.
A nível político, o G7 concordou em não recorrer rapidamente ao petróleo russo para suprimir estrangulamentos de abastecimento. O chanceler alemão destacou a solidariedade com a Ucrânia e a preparação do país para enfrentar cenários adversos, caso a situação se agrave.
A Espanha informou que, embora os preços estejam moderados neste momento, a situação permanece volátil. França anunciou inspeções em postos de abastecimento para evitar abusos de preços pelos operadores.
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