- O programa E-lar já emitiu cerca de 34.803 vales, com 56.970 candidaturas até início de janeiro; 12.573 permanecem em preenchimento e 2.451 processos estão em avaliação.
- Os custos de transporte e instalação são obrigatórios para quem usa o vale, com estimativas de cerca de 84,90 a 89,99 euros nos retalhistas, dependendo do tipo de equipamento e serviço.
- A instalação envolve a remoção de gás e um técnico certificado; o preço final varia consoante as especificidades do equipamento e do local.
- Beneficiários da tarifa social podem ter de comparticipar o transporte e a instalação, o que pode elevar o custo final devido ao IVA e aos serviços obrigatórios.
- A Deco alerta para dúvidas sobre a aplicação da tarifa social, apontando ainda que o foco atual no eletrodoméstico da cozinha não resolve outras necessidades de eficiência energética, como bombas de calor.
O programa E-lar, lançado pelo Governo, visa substituir equipamentos a gás por versões eléctricas, com destaque para cozinhas e aquecimento. Está a emitir vales para apoiar a compra e a instalação, mas os custos adicionais de transporte e instalação geram dúvidas entre os consumidores. A Deco alerta para custos potencialmente elevados.
Em paralelo com a emissão de vales, o programa envolve um conjunto de regras e serviços obrigatórios que acompanham cada aquisição. Estes serviços, que incluem transporte e instalação por técnicos qualificados, são classificados como essenciais para assegurar a correta substituição dos aparelhos e a reciclagem adequada.
A recente entrega de vales coincide com a entrada na segunda fase do programa. Este ciclo destina 60 milhões de euros ao apoio à substituição de equipamentos a gás por eléctricos, com critérios diferenciados para famílias com Tarifa Social de Energia Eléctrica.
O que acontece, quem está envolvido e quando
Até início de janeiro, a segunda fase tinha 56.970 candidaturas, conforme dados oficiais. Destas, 34.803 vales foram emitidos, mas apenas 1.332 chegaram a ser utilizados, indicando discrepâncias entre adesão e execução. Existem 2.451 processos em avaliação.
Os montantes variam consoante o equipamento e o beneficiário. Quem tem Tarifa Social pode receber entre 100 e 180 euros para instalação, além de valores para transporte e redução de custo do equipamento. Beneficiários do termoacumulador podem ter até 180 euros para instalação.
A Worten, integrada no grupo Sonae, indica uma instalação de 89,99 euros para uma placa eléctrica com remoção do equipamento a gás. A MediaMarkt/Darty aponta 84,90 euros para a instalação, incluindo materiais e testes. Estes valores refletem estimativas sujeitas a alterações regionais e à complexidade da intervenção.
Custos, requisitos e mudanças de tema
A Rádio Popular surge como alternativa com preço de 79,99 euros para o mesmo tipo de pacote. O El Corte Inglés oferece instalação gratuita em situações simples, mas exige orçamento personalizado para casos com remoção e selagem de gás. A Auchan não disponibiliza preço público para este serviço.
A Worten explica que o valor indicado não é fixo e depende da análise inicial, das condições do local e das especificidades do equipamento. O objetivo é assegurar a correta utilização do voucher e a substituição efetiva do gás pela electricidade, com encaminhamento para reciclagem.
Beneficiários da tarifa social e entraves à adesão
Entre as críticas está o reconhecimento da tarifa social, com falhas de cruzamento de dados na primeira fase. Em resposta, a segunda fase exige documentação adicional, como faturas recentes de electricidade, para reduzir equívocos.
Há ainda preocupações sobre a abrangência dos equipamentos. A aposta exclusiva em cozinhas pode não atender a necessidades de aquecimento ou arrefecimento, levantando discussões sobre a inclusão de soluções como bombas de calor para reduzir a pobreza energética.
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