- A China anunciou uma meta de redução da intensidade de carbono em 17% entre 2026 e 2030, no novo plano quinquenal.
- A meta é de intensidade, não de emissões absolutas, o que tem levado analistas a dizer que fica aquém do que seria necessário para cumprir o Acordo de Paris e manter o aquecimento global em 1,5°C.
- O plano apresenta o menor crescimento do PIB desde 1991, fixando entre quatro e meio por cento e cinco por cento de crescimento para 2026; o PIB cresceu 5% em 2025.
- Foi introduzido o sistema de “controlo duplo” para emissões a nível de indústria, empresas e projetos, mas sem limites de emissões absolutas.
- Analistas destacam que a meta pode permitir um aumento de emissions de 3% a 6% até 2030, dependendo do crescimento económico, e o plano prevê substituir 30 milhões de toneladas de carvão por energias renováveis em cinco anos.
A China apresentou o seu novo plano quinquenal, definindo uma redução de 17% na intensidade de emissões de CO2 entre 2026 e 2030. O objetivo não é uma redução absoluta de emissões, o que gerou dúvidas entre analistas sobre o alcance do compromisso do Acordo de Paris. Pequim mantém o foco na relação emissões por unidade de PIB, não no total lançado.
Segundo o governo, oPlano visa manter o crescimento económico entre 4,5% e 5% em 2026, tendo registado um incremento de 5% em 2025. A meta de intensidade de carbono foi anunciada na sessão de abertura do Congresso Nacional do Povo, em Beijing, num contexto de maior ênfase na descarbonização sem impor cortes diretos no consumo de carvão.
Analistas destacam que o corte pretendido na intensidade pode ainda permitir aumentos de emissões absolutas entre 3% e 6%, dependendo do ritmo de crescimento económico. A avaliação aponta que a medida, por si só, não satisfaz as metas de redução absolutas que o país assumiu para 2030.
Mudança de foco: intensidade versus emissões absolutas
O Governo alterou o foco da gestão energética para a intensidade do carbono por unidade de PIB, em vez da redução absoluta de emissões. O novo regime introduz um sistema de controlo duplo a nível industrial, de empresas e de projetos, sem fixar limites diretos ao carbono.
A organização Climate Action Tracker sustenta que a redução da intensidade, por si, oferece margem de manobra para emissões crescerem. Em contrapartida, o objetivo de reduzir a intensidade em 23% seria necessário para cumprir o compromisso de 65% até 2030, com referência a 2005.
O que os especialistas dizem
Analistas consultados pela Reuters descrevem a meta como extremamente conservadora, permitindo que a China aumente as emissões em determinada faixa. Diante do contexto internacional, o país enfrenta pressão para liderar avanços climáticos, especialmente após mudanças de políticas em outros blocos.
A China permanece líder mundial em produção de energias renováveis e planeia ampliar a participação de renováveis na matriz energética. O plano estima duplicar a produção de energia não fóssil nos próximos dez anos, sem especificar se a referência é produção, consumo ou outro indicador.
Perspetivas para o futuro
Se o pico de emissões nacionais ocorrer antes de 2030, o plano sugere que o ritmo de descarbonização deve acelerar, especialmente para setores difíceis de reduzir, como indústria pesada. Observadores ressaltam que a transição depende da integração de mais renováveis e de um sistema elétrico mais flexível e resiliente.
O Executivo chinês tem também metas anuais para substituir carvão por renováveis em 30 milhões de toneladas ao longo de cinco anos. No entanto, o consumo de carvão continua sem limites explícitos, o que alimenta dúvidas sobre a rapidez da transferência energética.
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