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Nauru: de paraíso do Pacífico a ilha árida e prisão a céu aberto

Nauru, ilha árida no Pacífico, abriga centros de processamento offshore financiados pela Austrália, com impactos humanos e económicos significativos

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Campos de fosfato explorados na ilha de Nauru
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  • Nauru, um território do Pacífico de pouco mais de vinte quilómetros quadrados, passou de paraíso a ilha árida e desoladora devido à exploração de fosfato.
  • Ao interior situa-se um conjunto de centros de processamento vinculados à política australiana de detenção offshore, em que já passaram mais de quatro mil pessoas desde dois mil doze; hoje estima-se que haja cerca de cem pessoas nesses locais.
  • Organizações como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch descrevem estes centros como uma “prisão a céu aberto”, com denúncias de negligência médica, isolamento e impactos graves na saúde mental.
  • Em janeiro, há seis meses, foi assinado um acordo em que a Austrália se comprometeu a pagar cerca de 1,5 mil milhões de euros para manter o envio de migrantes para Nauru; a dependência económica do território mantém-se.
  • O quotidiano na ilha é pouco variado: importação de quase tudo, poucos serviços, habitações precárias e um ambiente de tensão que os visitantes perceberam durante a curta estadia.

Carla Mota e Rui Pinto, autores do projeto Viajar entre Viagens, chegaram a Nauru durante a terceira volta ao mundo. Ao desembarcar, o drone usado na viagem foi apreendido no aeroporto, sinalizando controlo de circulação. A dupla descreve tensão logo no início.

Nauru, com pouco mais de 20 km², é uma ilha árida rodeada de água mas desflorestada e desoladora. A paisagem contrasta com a ideia de paraíso do Pacífico, com pedreiras a céu aberto a marcar o interior.

A extração de fosfato, iniciada no século XX, tornou Nauru um dos países com maior PIB per capita na década de 1980, antes de o recurso se esgotar. Hoje, o território depende economicamente de acordos com a Austrália, que financia a detenção offshore.

Centros de processamento: detenção e controvérsia

Os centros de processamento integrados na política offshore australiana detêm requerentes de asilo enviados para Nauru. Visitados pela equipa, os locais exibem contenção e avisos de acesso restrito, com relatos de condições críticas para moradores e detidos.

A maior parte das pessoas detidas vem de países com conflitos, como Afeganistão, Irão, Sri Lanka, Myanmar e Iraque. A política impede a permissão de residência na Austrália mesmo após reconhecimento de proteção internacional.

Sara Mashalian, uma ex-detida, descreve falta de água, alimentação inadequada, bolor nos alojamentos e assédio no centro. A história de Sara ilustra impactos na saúde física e mental, com relatos de asma e ansiedade.

Em 2017, o centro em Manus, na Papua-NGuiné, foi encerrado por decisão judicial; Nauru continua ativo desde 2012. Em 2025, a ONU reconheceu responsabilidade legal da Austrália sobre violações, ainda sem efeitos práticos.

Seis meses após a decisão da ONU, foi assinado um acordo em que a Austrália pagou cerca de 1,5 mil milhões de euros para manter o envio de migrantes para Nauru, segundo relatos. O sistema mantém-se em funcionamento.

Economia e vida quotidiana

Entre 20 e 40% do PIB de Nauru é atribuído a receitas ligadas aos centros offshore, segundo analistas. A maioria dos itens é importada; a ilha tem poucos comércios locais. A dupla relata dormidas em contentores e refeições fora de prazo, refletindo fragilidades na vida cotidiana.

Os entrevistados apontam uma população mais reservada e menos amistosa do que é típico no Pacífico, com sensação de peso e tensões. Ao regressarem, Carla e Rui descrevem a experiência como desoladora, ainda que não haja cenas chocantes relatadas.

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