- Nos anos setenta, Espanha conheceu uma seleção feminina “clandestina” que promovia o futebol sem apoio oficial, enfrentando Portugal e Itália.
- A capitã foi Concepción Sánchez Freire, conhecida como Conchi Amancio, considerada a primeira futebolista espanhola profissional, com carreira de vinte e cinco anos na Itália e Inglaterra.
- A história começa a oito de dezembro de mil novecentos e setenta, no campo Boetticher, em Villaverde, diante de sete a oito mil espetadores, quando Conchi marcou cinco golos aos treze anos.
- Em dois mil e dezanove, a Real Federação Espanhola de Futebol reconheceu as pioneiras, dizendo que tinham ficado com uma “dívida pendente” e valorizando o papel delas na evolução do futebol feminino.
- O filme Pioneras. Solo querían jugar, de Marta Díaz de Lope Díaz, chega aos cinemas a doze de junho e contextualiza a história no regime franquista, destacando o impacto social para além do desporto.
A Espanha teve, antes de conquistar o Mundial, uma seleção feminina não reconhecida pela federação que percorreu o país a promover o futebol entre mulheres. Nos anos 70, jogadoras enfrentaram a ditadura de Franco para manter o futebol feminino ativo em território nacional.
Conchi Sánchez Freire, conhecida como Conchi Amancio, tornou-se uma das maiores lendas desse grupo. Considerada a primeira jogadora profissional espanhola, atuou 25 anos entre Itália e Inglaterra, marcando mais de 500 golos. Ainda hoje é pouco conhecida do público.
Seleção clandestina
A equipa disputou encontros internacionais a partir de 1971 sem reconhecimento da Federação, UEFA ou FIFA. A iniciativa partiu de Rafael Muga, promotor do futebol feminino em Espanha. Conchi foi a capitã da equipa que chegou a defrontar Portugal e Itália.
A expressão seleção clandestina manteve-se durante décadas, apesar de algumas jogadoras descreverem a época como simples promoção do futebol feminino. Não utilizavam emblemas oficiais nem hinos nacionais e o árbitro não vestia equipamento oficial, segundo palavras da realizadora.
O marco inicial
O jogo que ficou na memória ocorreu a 8 de dezembro de 1970, no campo Boetticher, em Villaverde, Madrid. Entre 7 000 e 8 000 espectadores marcaram presença, numa das primeiras grandes aparições do futebol feminino em Espanha. Conchi, com 13 anos, marcou cinco golos e ganhou destaque imediato.
A jovem passou a ser procurada por clubes estrangeiros e acabou por assinar com Gamma 3 de Pádua, numa operação que chegou a constar nos noticiários da época. O percurso levou-a a atuar em clubes italianos e britânicos, somando 25 anos de carreira profissional.
Reconhecimento tardio
Em 2019, a Real Federação Espanhola de Futebol reuniu-se com as pioneiras, incluindo Conchi, para reconhecer a influência dessas jogadoras na evolução do desporto. A federação descreveu o encontro como um reconhecimento de uma dívida histórica com quem abriu caminho.
O filme que resgata a história
A realizadora Marta Díaz de Lope Díaz apresenta o documentário Pioneras. Solo querían jugar, nos cinemas a 12 de junho. O projeto utiliza o futebol para abordar um conjunto de aspetos sociais vividos na Espanha sob o franquismo, além da evolução do desporto feminino.
Díaz de Lope Díaz explica que o foco do filme está na transformação social, não apenas desportiva. As protagonistas mostram o caminho de mulheres que lutaram contra obstáculos institucionais e preconceitos sociais, sem perder o aspeto humano da luta pela igualdade.
Entre na conversa da comunidade