- O fundo Entrepreneur Equity Partners comprou 16,38% da Sociedade Anónima Desportiva do Benfica ao empresário José António dos Santos, conhecido como Rei dos Frangos.
- Fernando Tavares, antigo vice-presidente do Benfica, afirmou no LinkedIn que o capital americano foca-se na gestão de ativos e receitas, mas pode faltar investimento desportivo consistente, o que afeta a competitividade.
- Ele cita exemplos como Inter de Milão (dívida/credit takeover) e Milan (RedBird) para sustentar que, apesar de disciplina financeira, o investimento desportivo pode ser insuficiente. Nos últimos 15 anos, clubes com capital americano teriam ganho três ligas e uma Champions.
- O técnico questiona a entrada deste investidor no Benfica e aponta dúvidas sobre governança, perguntando se o direito de preferência foi decidido pela direção ou pela comissão executiva da SAD.
- O texto compara modelos de capital: os que combinam investimento e ambição competitiva, como Manchester City (Emirados Árabes Unidos) e Paris Saint-Germain (Catari), com outros que enfatizam disciplina financeira, citando Napoli e Bayern como exemplos.
Fernando Tavares, antigo vice-presidente do Benfica, reagiu esta quinta-feira à entrada do capital da SAD do clube no investidor norte-americano Entrepreneur Equity Partners. A compra de 16,38% foi feita ao empresário José António dos Santos, conhecido por Rei dos Frangos.
Na publicação partilhada no LinkedIn, Tavares reconhece a lógica financeira típica de fundos com capital americano, mas levanta dúvidas sobre o investimento desportivo e o impacto na competitividade. O foco do texto está na relação entre gestão financeira e desempenho desportivo.
O ex-dirigente apresenta exemplos de clubes que, segundo ele, ilustram diferentes modelos de gestão. Menciona Inter e Milan, com controlo de dívida e disciplina financeira, e contrasta com o sucesso de equipas com capital não americano.
Tavares aponta ainda diferenças entre modelos de investimento: Manchester City e PSG, sob propriedade em nações com capitais de Abu Dhabi e Qatar, e o Chelsea, sob Abramovich, são citados como referências de ambição competitiva, mas ressalva que a ligação entre investimento e qualidade desportiva varia consoante o modelo.
O texto também analisa casos europeus de disciplina financeira combinada com ambição desportiva, citando Napoli e Bayern. Conclui que a visão do investidor americano tende a tratar o clube como ativo a otimizar, o que pode afastar a identidade competitiva com a performance desportiva.
Por fim, Tavares sugere que o Benfica avalie com cuidado a entrada do grupo investidor, levantando questões sobre o direito de preferência e a governança da SAD. Questiona se houve mudança na estrutura de governance, dado que o Benfica é o maior acionista da SAD.
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