- O Benfica foi criticado por demonstrar falta de compreensão do racismo na reação à acusação de Gianluca Prestianni no jogo da Liga dos Campeões frente ao Real Madrid.
- Luís Vaz Fernandes, responsável pela comunicação de organizações antirracistas, disse que a posição do Benfica foi superficial e não reflecte os debates sociais sobre racismo.
- A polémica envolve a alegação de que Prestianni dirigiu insultos racistas a Vinícius Júnior, que Prestianni negou.
- O árbitro François Letexier interrompeu o encontro e acionou o protocolo antirracismo, com a ação a retomar quase 10 minutos depois.
- O clube abriu processo interno contra adeptos que imitaram sons de macacos no Estádio da Luz; se forem sócios, podem vir a ser expulsos.
O Benfica está no centro de uma controvérsia por uma reação considerada superficial a uma acusação de racismo envolvendo o jogador Gianluca Prestianni, no jogo da Liga dos Campeões contra o Real Madrid. A denúncia envolve insultos alegadamente dirigidos a Vinícius Júnior durante o encontro do playoff de acesso aos oitavos de final, disputado na terça-feira. O árbitro interrompeu o jogo e ativou o protocolo antirracismo, com a ação a retomar quase 10 minutos depois.
A crítica é dirigida a uma leitura do caso que, segundo Luís Vaz Fernandes, não reconhece a complexidade do tema racismo nem a importância de debater o passado colonial e a negritude na sociedade portuguesa. Fernandes é responsável pela comunicação de organizações antirracistas, sediadas em Inglaterra, onde reside há cinco anos.
O dirigente apontou que o Benfica assumiu publicamente a versão apresentada pelo jogador, o que, na visão dele, expõe uma falta de sensibilidade e de entendimento dos debates sociais em Portugal. O episódio teve ainda desdobramentos com o processo interno aberto pelo clube contra adeptos que imitaram sons de macacos no estádio.
Contexto do caso
Durante o encontro, Vinícius Júnior marcou o único golo do Real Madrid e foi alvo de alegados insultos racistas. O árbitro interrompeu a partida para implementar o protocolo, retomando o jogo após uma pausa de quase 10 minutos. O Benfica confirmou a abertura de um procedimento disciplinar aos adeptos envolvidos nas imitações.
Reação de especialistas
Luís Vaz Fernandes criticou a resposta do Benfica, comparando-a a uma visão superficial de racismo. O especialista sustenta que é necessário reconhecer o papel de grupos marginalizados e a persistência de discursos racistas. Em Portugal, a discussão envolve ainda o legado colonial e a representatividade da população negra na sociedade.
Desdobramentos e contexto
O debate sobre racismo em Portugal é apontado como ainda em desenvolvimento, com aumento de visibilidade de pessoas negras em funções qualificadas e maior presença mediática de publicidade com protagonistas negros. Fernandes recomenda uma análise mais profunda do passado e do presente para compreender as dificuldades de determinados grupos.
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