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Racismo no futebol: apenas sancionar não resolve o problema

Especialista afirma que sanções são marketing; combate ao racismo no futebol exige formação ética e mudança cultural, não apenas medidas disciplinares

«Racismo no futebol? Se a resposta for apenas sancionatória, ficamos apenas no sintoma»
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  • A responsável pela Associação de Filosofia do Desporto em Língua Portuguesa afirma que as sanções contra o racismo no futebol são, em parte, um “exercício de marketing” e não resolvem o fenómeno.
  • Defende que o combate ao racismo exige reformar a formação de atletas, com foco educativo e ético, especialmente para jogadores profissionais.
  • A especialista aponta que o racismo é um problema estrutural e que o ambiente de jogo potencia a visibilidade do insulto.
  • Critica a burocratização de iniciativas como o cartão branco e sustenta que a luta contra xenofobia e ódio não pode depender apenas de prémios ou castigos.
  • No caso em análise, Vinicius Júnior alegou ter ouvido insultos racistas de Gianluca Prestianni durante um jogo da Champions; a UEFA instaurou um inquérito, com possível suspensão de Prestianni e audições marcadas para breve.

Um incidente durante a meia-final de acesso aos oitavos de final da Champions League entre Real Madrid e Benfica, na terça-feira, ocorreu após Vinicius Júnior marcar o golo da vitória (1-0). O avançado brasileiro foi alvo de alegado insulto racista por parte de Gianluca Prestianni, extremo do Benfica, no estádio Santiago Bernabéu. O árbitro francês François Letexier pediu o protocolo antirracismo e interrompeu o jogo.

A discussão sobre o tema tem levado especialistas a questionar o foco exclusivo em sanções. Luísa Ávila da Costa, presidente da Associação de Filosofia do Desporto em Língua Portuguesa, defende que a punição é insuficiente e que o combate ao racismo exige reforma na formação ética dos atletas. O fenómeno é visto como estrutural e amplificado pelo ambiente desportivo.

Debates sobre a eficácia das sanções

A especialista ressalta que diretrizes disciplinares ajudam, mas não resolvem as raízes do problema, que exigem educação contínua para jogadores, treinadores e árbitros. Acusações de “marketing” associadas a campanhas anti-racismo são vistas como insuficientes para mudanças profundas.

Desdobramentos e investigação

O Benfica mantém a versão de Prestianni, negando qualquer insulto e defendendo cooperação com a UEFA. A instituição afirmou prestar total colaboração, enquanto a UEFA nomeou um Inspetor de Ética e Disciplina para investigar o caso. Estão previstas audições de Vinicius Júnior e de Prestianni nos próximos dias, com possíveis sanções que podem incluir suspensão para o jogador argentino.

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