- Nuno Martins é designer de troféus para várias instituições nacionais e internacionais, como Liga Portugal, Taça da Liga e Portugal Football Globes, além de ter criado o troféu da Figura do Ano de A Bola, atribuído a Vitinha no final de dezembro.
- O processo criativo envolve briefing, escrita intensiva, esboços, desenho técnico e produção em colaboração estreita com a equipa de produção, mantendo o objetivo de durabilidade e significado ao longo do tempo.
- O equilíbrio entre criatividade e exigências das instituições depende de um triângulo convergente entre a instituição, o designer e a fábrica, com diálogo contínuo e conceitos bem definidos.
- O troféu mais desafiante recentemente foi o Globe Sports Awards, devido ao volume de cristais, ao design arrojado e ao prazo de entrega, exigindo trabalho cuidadoso com a produção.
- Sobre o troféu de Figura do Ano de A Bola para 2025, o conceito centra-se na ideia da figura do ano com uma bola cortada em 12 anéis que representam os 12 meses, com a bola suspensa no acrílico para simbolizar a continuidade do reconhecimento ao longo do ano.
Nuno Martins, designer de troféus de reconhecimento nacional e internacional, revela o bastidor da criação para peças que vão desde a Liga Portugal até ao Globe Sports Awards. O trabalho é descrito como um processo de diálogo, estudo e escrita, que transforma conceito em objeto.
O designer, professor do IPCA, já desenvolveu cerca de quarenta troféus. Entre os mais conhecidos estão os galardões da Liga Portugal, da Taça da Liga e dos Globes de Ouro. Recentemente venceu o prémio Figura do Ano de A BOLA, atribuída a Vitinha no final de dezembro.
A entrevista decorreu nas instalações da Domingos Guedes Lda, em Gondomar, onde Martins acompanha, há vários anos, a passagem do papel para a materialização dos troféus. O feed de produção é descrito como extraordinário pela equipa que o acompanha.
O que distingue o troféu de um projeto de comunicação é o tempo de vida. Martins sublinha que troféus são pensados para durar, com um conceito forte e uma história que persiste. O processo começa com briefing e escrita, antes do desenho.
O triângulo persuasivo envolve instituição, designer e produção. Há necessidade de convergência entre os objetivos, a estética e a viabilidade de fabrico. Quando corre bem, beneficia todas as partes envolvidas, afirma.
Entre os exemplos, o troféu da Primeira Liga integra um poema de Luís de Camões, ligação histórica que já gerou interesse público. O mais desafiante recente foi o Globe Sports Awards, pela complexidade de produção e pelo prazo estreito.
Martins descreve uma colaboração longa com a fábrica Domingos Guedes, marcada por uma luta saudável entre simplicidade e novidade. O objetivo é manter o equilíbrio entre risco criativo e responsabilidade com o cliente.
Quanto ao feedback, o designer revela que raramente recebe opiniões de jogadores ou treinadores. O que o motiva é o estudo, a escrita e o diálogo com a equipa de produção, antes da apresentação da peça.
No que toca a detalhes, o troféu Globe Sports Awards guarda um elemento escondido no verso, que simboliza a elegibilidade de who se torna lenda, uma assinatura discreta da peça.
Sobre a sensação de ter desenhado troféus para Portugal e para outros palcos, Martins fala de responsabilidade e orgulho. Ver o desporto português crescer reforça a satisfação de contribuir, ainda que pouco, para esse fenómeno.
Quanto ao troféu de Figura do Ano 2025 de A BOLA, o conceito assenta na ideia da Bola que é cortada em doze anéis, correspondentes aos 12 meses. A peça também contempla a bola suspensa, refletindo a continuidade da figura ao longo do ano.
Sobre projetos em curso, Martins adianta que existem vários, mas não pode divulgar detalhes por questões de sigilo. A produção continua a ser o foco, com a promessa de novas propostas que alarguem o universo de troféus.
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