- O Comité Olímpico Internacional reintroduz, para Los Angeles 2028, testes genéticos (SRY) para provas femininas, o que pode excluir mulheres transgénero e algumas atletas intersexo.
- A Transmutar acusa o COI de ceder ao “fascismo” e de ignorar a ciência, descrevendo os testes como uma simplificação da diversidade sexual.
- O grupo refere um estudo encomendado pelo COI em 2024 que concluiu que atletas trans podem ter desvantagens físicas em determinados parâmetros, como força da parte inferior do corpo e função pulmonar.
- O COI justifica a medida pela promoção de justiça, segurança e integridade, alegando que o gene SRY é indicativo de desenvolvimento sexual masculino e pode conferir vantagens.
- O caso de atletas como Caster Semenya e a situação de Imane Khelif são usados pela Transmutar para ilustrar impactos sobre mulheres cisgénero e transgénero, com críticas à política vigente.
A rede Transmutar denunciou nesta quinta-feira que o Comité Olímpico Internacional (COI) cede ao fascismo ao reintroduzir testes genéticos para Los Angeles 2028, decisão que pode excluir mulheres trans e algumas atletas intersexo. O órgão afirma promover justiça, segurança e integridade das provas.
Segundo a denúncia, o COI passou a exigir o exame genético para detetar o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino, alegando veracidade científica, mas a luta é apresentada como uma simplificação da diversidade sexual. A organização questiona a validade dos testes usados nos anos 90.
A Transmutar recorda que a participação de mulheres trans no desporto é muito pequena, e sustenta que não há evidências de vantagens competitivas sustentáveis. Alega ainda que o COI desrespeita estudos científicos, incluindo um estudo encomendado pelo COI em 2024, que apontou desvantagens para atletas trans.
Conforme o coletivo, o estudo apontou que mulheres trans apresentam menor desempenho em testes de força da parte inferior do corpo e de função pulmonar, sem diferenças significativas em hemoglobina. A comparação com mulheres cisgénero é citada como exemplo de impacto.
A organização associa a medida a uma orientação conservadora e critica a forma como o COI pode afetar outras atletas, incluindo cisgênero, ao impor critérios considerados ficcionais sobre feminilidade e exames invasivos.
Casos como o da atleta argelina Imane Khelif, campeã olímpica de boxe, são citados para ilustrar o risco de excluir atletas nascidas com características femininas mas com o gene SRY. O COI diz que a política não é retroativa.
Em 25 de março, o COI anunciou que provas femininas passam a exigir o exame genético para LA2028, repetindo um regime que vigorou entre 1968 e 1996. A medida é apresentada como forma de assegurar igualdade de condições entre atletas.
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