- Pedro Cardoso foi diagnosticado com cancro na cabeça e pescoço aos 34 anos, em verão de 2010, após uma biópsia, e passou por várias cirurgias, radioterapia e quimioterapia com apoio familiar e acompanhamento psiquiátrico no IPO do Porto.
- O desporto nasceu como aliado à recuperação: já pedalava BTT, iniciou triatlo durante o tratamento e, ao longo dos anos, enfrentou perdas e fortes tratamentos, sem perder a vontade de treinar e competir.
- Em 2012 participou na Meia Maratona do Porto; em 2013 estreou-se no triatlo, e entre 2014 e 2020 treinava com intensidade, superando limitações impostas pela radioterapia e pelos tratamentos.
- No início da pandemia de covid-19, criou-se uma ligação com um amigo oncológico do Porto e nasceram planos para o Ironman na Califórnia; o projeto ganhou forma com o Ironman de Cascais e uma conquista em 2023, marcada por uma participação dedicada.
- Em 2024 lançou o projeto Anything is Possible, mantendo o foco em palestras, encontros e eventos desportivos, com campanhas para adquirir uma bicicleta de triatlo contrarrelógio; defende que o desporto é saúde e ferramenta de resiliência no combate ao cancro.
Pedro Cardoso, um alpinista português, partilha a sua jornada de superação frente ao cancro na cabeça e pescoço, num testemunho que liga coragem, treino e resiliência. A reflexão surge 15 anos após a primeira cirurgia e é partilhada ao SAPO.
A história começa em 2010, quando Cardoso, aos 34 anos, recebe o diagnóstico após uma biópsia. O percurso incluiu várias cirurgias, radioterapia e quimioterapia, com impactos em peso e no estilo de vida. O apoio da família foi determinante para enfrentar o tratamento.
Formado em engenharia, Cardoso decidiu investigar a doença, ouvir opiniões médicas diversas e perceber o que podia fazer por si. O IPO do Porto acompanhou-o desde o início, com apoio psiquiátrico durante o período de espera pela primeira intervenção, de três semanas.
O papel do desporto na recuperação tornou-se central. Cardoso já praticava BTT antes do diagnóstico e passou ao triatlo durante o tratamento, mantendo o ritmo mesmo frente à agressividade da doença. A prática regular ajudou a manter a motivação e a luta diária.
Após a primeira cirurgia marcante, houve um internamento de quinze dias e um retorno gradual à atividade física. Diversas limitações resultaram, incluindo perda de peso significativa e crises associadas à radiação, exigindo adaptações contínuas.
Entre 2011 e 2014, surgem avanços significativos. A participação na meia maratona do Porto, treinos isolados e o regresso progressivo ao triatlo revelaram uma nova dinâmica de vida. A melhoria foi acompanhada por consultorias com o Prof. Horácio Costa, que ajudou na reconstrução de tecidos faciais.
A pandemia de COVID-19 introduziu novos desafios. No primeiro dia de confinamento, Cardoso encontrava-se em cirurgia; nesse período conheceu um amigo com doença semelhante, que inspirou um projeto de vida conjunto. A dupla planeava competir em Ironman na Califórnia, mas acabou por desistir devido à doença do amigo.
Em alternativa, o projeto ganhou outra forma. Cardoso passou a competir no Ironman de Cascais em 2023, com o objetivo de homenagear o apoio recebido e manter a mensagem de que é possível fazer coisas extraordinárias com limitações. Em 2022, percorreu 380 km de bicicleta do Porto a Lisboa, prova de persistência que consolidou o empenho.
O ano de 2023 ficou marcado pela participação no Ironman de Cascais, repetida no ano seguinte. Cardoso reforçou a ideia de treinar de forma consistente, afirmando que a prática diária é essencial para manter o condicionamento e a autoestima.
O projeto Anything is Possible foi oficialmente lançado em 2024, após a participação no Full Ironman de Cascais. O objetivo é partilhar a história, apoiar pessoas com cancro e promover a saúde através do desporto, incluindo campanhas para adquirir uma bicicleta de triatlo de contrarrelógio.
Para jovens, Cardoso deixa uma mensagem de persevância: o desporto é saúde, a preparação é fundamental e sair do sofá é o primeiro passo para transformar sonhos em realidade. O testemunho continua a inspirar eventos e palestras e a reforçar a importância do apoio social na recuperação.
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