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Fernando Mamede: recorde mundial vale 4.500 dólares

Recorde mundial de dez mil metros rendeu quatro mil e quinhentos dólares; legado e controvérsia marcam a carreira de Fernando Mamede, que morreu aos 74 anos

Fernando Mamede com Norberto Santos
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  • Fernando Mamede, ex-recordista mundial dos 10.000 metros, morreu aos 74 anos na terça-feira.
  • Em 1984 tornou-se o primeiro português a estabelecer o recorde mundial nessa distância, numa época em que tinha grande rivalidade com Carlos Lopes.
  • O recorde mundial rendeu-lhe 4.500 dólares em prémios, considerado pelo próprio como o “mais barato” que um meeting pagou a um atleta.
  • A carreira foi marcada pela pressão e pela desistência na final dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, o que gerou controvérsia.
  • Depois de terminar a carreira, Mamede foi técnico de desporto na Azambuja (desde 1995) e manteve ligação ao Sporting, além de ter gerido uma loja de artigos desportivos.

Fernando Mamede, antigo recordista mundial dos 10 000 metros, faleceu aos 74 anos na terça-feira. O legado do atleta é lembrado pela reportagem que o Record publicou em 2003, na rubrica Campeões na Reforma, e que reflete sobre a carreira e os momentos mais decisivos do fundista alentejano.

A memória de Mamede está indissolutamente ligada aos grandes eventos de atletismo em Portugal. A carreira ficou marcada por tempos excepcionais, rivalidade com Carlos Lopes e a pressão de manter o melhor desempenho mundial até aos anos 80.

No auge, Mamede atingiu marcas históricas e quebrou recordes nacionais e europeus, contribuindo para a visibilidade do atletismo nacional. Entre vitórias em meetings internacionais, destacou-se pela capacidade de acelerar nos momentos decisivos.

O recorde mais barato

Ao conquistar o recorde mundial nos 10 000 metros, Mamede integrou um rendimento total de 4500 dólares em prémios. Segundo ele, cerca de 3000 dólares constituíram o cachet e 1500 dólares o valor pela homologação do recorde, numa altura em que o apoio aos atletas era mais débil.

O atleta recordou ainda que não teve empresário no seu percurso, com Moniz Pereira a tratar de boa parte da gestão específica da carreira. A maior soma recebida na carreira ocorreu numa meia-maratona no Japão, onde lhe pagaram 12 mil dólares.

Quem é quem

Nome: FERNANDO Eugénio Pacheco MAMEDE.

Nascimento: Beja, 1 de novembro de 1951.

Clube: Sporting (1968-1990).

Recordista mundial de 10 000 m (27.13,81 em 1984) e europeu (27.27,7 em 1981; 27.22,95 em 1982).

Medalha de bronze no Mundial de Corta-Mato de 1991; várias vitórias em provas de corta-mato e múltiplos títulos nacionais.

Participou em três Jogos Olímpicos: 1972, 1976 e 1984.

Profissionalmente, manteve-se ligado ao desporto, incluindo funções técnicas e na loja de artigos desportivos em Lisboa.

Legado e últimas notas

Mamede esteve ligado ao Sporting como adjunto de Moniz Pereira, depois afastou-se, e dedicou-se à loja própria. Em 1995 iniciou funções técnicas na Câmara Municipal da Azambuja, atividade que manteve como a principal ocupação remunerada.

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