Como as alterações climáticas vão remodelar os Jogos Olímpicos de inverno. A lista de locais potenciais para acolhimento está a diminuir, e o impacto climático já começa a impor limites claros à geografia dos Jogos.
A biatleta belga Maya Cloetens Treina para Milão-C Cortina, próximos Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão e Cortina d’Ampezzo, Itália. Grenoble acolheu os Jogos de 1968, mas hoje os Invernos são mais curtos e com menos neve consistente.
As alterações climáticas estão a reduzir a fiabilidade de locais montanhosos para provas de gelo e neve. Um estudo de Daniel Scott e Robert Steiger, utilizado pelo COI, indica que apenas 52 de 93 locais atuais deverão ter neve suficiente na década de 2050.
Para 2080, esse número pode cair para 30, dependendo de reduções da poluição por CO2. O COI também privilegia locais com pelo menos 80% de infra-estruturas já existentes, o que reduz ainda mais opções.
A investigação aponta que locais históricos como Grenoble, Chamonix, Garmisch-Partenkirchen e Sochi poderão não voltar a ser anfitriões na década de 2050. Vancouver, Palisades Tahoe, Sarajevo e Oslo também aparecem como arriscados climaticamente.
A produção de neve artificial ganha maior relevância. Em 1980 começou a ser comum, mas agora é quase indispensável para manter pistas com condições estáveis, mesmo em temperaturas não ideais.
Para Milão-Cortina, o comité organizador aponta que a água e a energia são recursos críticos. Estima-se o uso de cerca de 946 milhões de litros de água para a produção de neve, com cerca de 250 milhões de galões de água reservados para a operação das pistas.
A tecnologia de neve artificial tem evoluído. A TechnoAlpin afirma que as suas SnowFactories podem produzir neve a temperaturas próximas de zero, o que amplia as margens de manobra, ainda que dependa de condições hídricas e energéticas.
Profissionais de hidrologia e climatologia alertam para o aumento da necessidade de água e para impactos ambientais. A construção de reservatórios de alta altitude é uma prática comum para armazenar água para a neve artificial.
O COI tem vindo a ajustar prioridades para reduzir o consumo de água e energia, e evitar construções desnecessárias. E já admite a possibilidade de reduzir o número de desportos, atletas e espetadores.
A aposta atual do COI é manter escolhas com fortes infraestruturas e padrões elevados de proteção climática, com o objetivo de preservar o movimento olímpico a longo prazo. Nomes como Milão-Cortina e Salt Lake City surgem como referências para futuras edições.
Para os próximos Jogos Olímpicos de Inverno, o COI está a falar com a Suíça sobre uma opção para 2038, mantendo um foco em locais com infraestrutura consolidada e menor impacto ambiental. O objetivo é manter o legado olímpico sem comprometer o clima.
Diana Bianchedi, da equipa de planeamento da organização, reafirma o objetivo de um futuro mais sustentável para o movimento olímpico. O desafio é equilibrar a viabilidade desportiva com a responsabilidade ambiental.
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