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Fotografias desaparecidas em Berlim mostram vítimas inocentes do nazismo

Em Berlim, 98 fotografias recuperadas mostram a rusga do billet vert e o destino de judeus, memória crucial para sobreviventes como Liliane Ryszfeld

Exposição "Rostos da memória: as imagens do ataque ao Livro Verde" em Berlim.
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  • Exposição na Embaixada de França em Berlim, inaugurada a 11 de maio de 2026, exibe 98 fotografias desaparecidas da rusga do bilhete verde, ocorrida em Paris em maio de 1941.
  • As imagens, tiradas por Harry Croner sob ordens da Gestapo, mostram detenções de judeus em Paris; cerca de 3.800 foram presos, 3.100 deportados para Auschwitz-Birkenau em julho de 1942, e cerca de 700 conseguiram escapar.
  • As fotografias foram redescobertas em 2020, analisadas pelo Mémorial de la Shoah e acompanhadas de um livro publicado em abril de 2026; as imagens chegaram a Berlim dias após terem sido apresentadas em Paris.
  • Liliane Ryszfeld, hoje com 91 anos, sobrevivente da Shoah, participou na abertura e disse que as imagens representam memória e esperança para o futuro.
  • A mostra insere-se num projeto europeu de memória realizado pela Conferência das Reivindicações e ficará em Berlim até 9 de julho de 2026.

A exposição intitulada Rostos da Memória apresenta 98 fotografias que estiveram desaparecidas durante quase oito décadas. Mostra as vítimas inocentes dos nazis e envolve a Embaixada de França em Berlim, aberta ao público a 11 de maio de 2026. O projeto relembra a chamada Rafle du billet vert, ocorrida em Paris em maio de 1941.

As imagens, tiradas por Harry Croner a mando da Gestapo, registam indivíduos isolados e não um grupo anónimo. Croner, fotógrafo berlinense de origem judaica, documentou a rusga ordenada pelas SS e pela Gestapo. As fotografias desapareceram desde então e foram redescobertas em 2020.

Fotografia e memória

O Mémorial de la Shoah em Paris analisou as 98 imagens, com legendas contextualizadas por Lior Lalieu. O livro La Rafle du billet vert, com coautoria de Jean-Marc Dreyfus, foi publicado em abril de 2026. A mostra pública ocorreu em Paris a 10 de maio de 2026 e chegou a Berlim no dia seguinte.

A rusga de Paris, ocorrida em julho de 1942, deportou cerca de 3.100 homens para Auschwitz-Birkenau; cerca de 700 escaparam e 3.800 judeus foram inicialmente detidos. O governo de Vichy já autorizara a prisão de estrangeiros judeus desde 1940.

Testemunhos e vozes do presente

Liliane Ryszfeld, 91 anos, sobrevivente do Holocausto, viajou de Paris a Berlim para a inauguração. Ela era menina quando o evento ocorreu e recorda a deportação do pai, Mosjez Stoczyk, para Auschwitz em 1942. A exposição representa para ela um marco de memória e futuro.

Ryszfeld descreve que as fotografias têm significado não apenas histórico, mas pessoal, evocando memórias de infância associadas à rusga. Participou ainda de uma sessão com jovens de Berlim para discutir a importância da memória.

Contexto institucional e europeu

A mostra é organizada pela Conferência sobre as reivindicações materiais dos judeus contra a Alemanha, com apoio da Embaixada de França, do Mémorial de la Shoah e de entidades de restituição de bens culturais. A instituição já pagou milhares de milhões em indemnizações a sobreviventes desde 1952.

Rüdiger Mahlo, representante da Conferência de Reivindicações na Europa, ressalta a importância de manter a memória ativa diante de sinais de marginalização. O embaixador francês, François Delattre, sublinha a necessidade de arquivos e investigação independente para evitar ficções históricas.

Projeto europeu de memória

A exposição é um projeto de cooperação europeia envolvendo várias instituições. A colaboração visa preservar a história da Shoah e apoiar sobreviventes com recursos sociais. A mostra em Berlim fica patente até 9 de julho de 2026.

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