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Ir ao supermercado está mais caro; conflito no Oriente Médio não é a causa

DECO regista cabaz de bens alimentares no mais alto preço de sempre; subidas são especulativas e não atribuíveis ao conflito no Médio Oriente

Ir ao supermercado já está mais caro mas conflito no Médio Oriente ainda não justifica preços
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  • O cabaz de produtos monitorizado pela Deco Proteste atingiu 254,12 euros, o valor mais alto de sempre.
  • O preço subiu 12,30 euros (mais 5,09%) na última semana e 66,42 euros (mais 35,39%) desde a primeira semana de 2022.
  • Entre os itens, destacam-se subidas: atum em óleo vegetal (mais 33%), salsichas frankfurt (mais 20%) e massa em espirais (mais 12%).
  • A associação diz que o conflito no Médio Oriente ainda não explica o aumento; fatores como mau tempo e incerteza de stock também pesam.
  • Economistas avisam que, se o conflito se prolongar, podem surgir pressões inflacionistas, com custos de transporte e energia a subir; o turismo pode, porém, beneficiar Portugal.

O cabaz de produtos monitorizado pela DECO PROteste atingiu um novo recorde de preço, ultrapassando os 254 euros. O aumento representa o preço mais alto já registrado desde o início do acompanhamento, em 2022. As variações entre a primeira semana de 2026 e agora são de 5,09% e 35,39%, respetivamente.

A DECO aponta que a subida não pode ser atribuída ao conflito no Médio Oriente, pelo menos por enquanto. O porta-voz Nuno Pais de Figueiredo explicou que os elevados números refletem uma tendência já observada desde o início de 2026, com picos de preços sem origem única identificável.

Entre os produtos, destacam-se aumentos significativos na última semana (4 a 11 de março): atum em óleo vegetal subiu 33%, salsichas frankfurt 20% e massa em espirais 12%. A associação aponta também para fatores internos, como intempéries em janeiro e fevereiro, que contribuem para a incerteza.

O contexto económico internacional tem sido marcado pela escalada de preços do petróleo, que regressou a valores superiores a 100 dólares por barril. A necessária libertação de reservas não trouxe alívio imediato, e o impacto já se faz sentir no custo de abastecimento.

Em Portugal, além do conflito, o mau tempo inicial do ano é apontado como potencial contributo para a subida de preços. Segundo a DECO, não existe currently uma leitura única que justifique o aumento generalizado nos supermercados.

Para o economista Filipe Garcia, da IMF, as subidas atuais são essencialmente especulativas e não refletem escassez real. O especialista alerta que, se a crise se prolongar, os preços poderão manter-se elevados, especialmente nos alimentos, por eventual dissociação entre custos de transporte e oferta.

O transporte rodoviário é o principal meio de importação e exportação em Portugal, de acordo com o economista, o que torna os custos de combustível e logística fatores críticos para o movimento dos preços. A curto prazo, o impacto direto nas empresas poderá traduzir-se em custos de energia e na produção de eletricidade, via gás natural.

No que toca a exportações portuguesas, o setor da construção pode sentir efeitos, dependendo da duração do conflito. Em paralelo, o BCE pode considerar políticas monetárias mais restritivas caso haja pressão inflacionista sustentada. A recuperação do turismo é vista como uma possível via de mitigação, com países vizinhos a enfrentar perceções de insegurança que podem beneficiar destinos nacionais.

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