- O presidente francês, Emmanuel Macron, homenageou Edgar Morin nos Inválidos, destacando que o filósofo não cedia à verdade de um único campo ou dogma; Morin morreu aos 104 anos.
- A cerimónia decorreu no pátio sul do Dôme des Invalides, com a presença da esposa de Morin, Sabah Abouessalam, e de figuras políticas e intelectuais, entre as quais François Hollande.
- Edgar Morin, filósofo e sociólogo, nasceu em Paris, em 1921, e foi membro da Resistência; adotou o pseudónimo Morin durante a guerra.
- Foi um dos fundadores do comité de intelectuais contra a guerra da Argélia e deixou obra diversificada, incluindo La méthode (sete volumes) e La rumeur d’Orléans, com temas desde ciência até ecologia.
- Macron afirmou que a energia francesa continuará a renascer e que Morin manteve um compromisso com liberdade, igualdade, emancipação e fraternidade com povos privados de direitos.
França prestou homenagem nacional a Edgar Morin, filósofo e sociólogo que morreu aos 104 anos. A cerimónia ocorreu no pátio sul do Dôme des Invalides, em Paris, onde o Presidente Emmanuel Macron falou sobre a contribuição do pensador à liberdade e à fraternidade. A sessão decorreu durante a manhã de quarta-feira.
Macron descreveu Morin como um humanista de alcance planetário, ressaltando que o filósofo nunca aceitou a ideia de verdades únicas. O chefe de Estado sublinhou a recusa de reducionismo e a vontade de manter o futuro vivo frente ao atraso e à inação.
A homenagem contou com a presença da esposa de Morin, a filósofa Sabah Abouessalam, e de figuras públicas, entre as quais François Hollande, Jean Viard, Pascal Ory e Aziz Akhannouch, chefe do governo marroquino. O evento reuniu também representantes da academia.
Edgar Morin nasceu a 8 de julho de 1921, em Paris, numa família judaica de Salónica. Entrou para a Resistência em 1941 sob o pseudónimo Morin e integrou o PCF, do qual se afastou após a crítica ao stalinismo, segundo o relato biográfico.
Ao longo da carreira, Morin desenvolveu uma obra extensa que liga ciência e reflexão sobre o Homem, destacando obras como La méthode e estudos sobre ecologia. A sua atuação incluiu ainda a fundação de comités contra a guerra da Argélia.
Entre os temas centrais da sua produção estiveram a crise ecológica, a crítica ao modelo ocidental e o risco de fundamentalismos, especialmente após o fim da Guerra Fria, situações que o acompanharam ao longo de décadas.
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