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Ruínas, crime e boneca marcam o hotel da seleção em Saltillo

La Torre, antigo hotel da Seleção em Saltillo, será convertido em escritórios; o edifício mantém memórias de 1986 e relatos de tortura já documentados

A boneca que "controla" a entrada no La Torre
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  • O hotel La Torre, em Saltillo, antiga casa da seleção portuguesa no Mundial 86, está abandonado e quase irreconhecível, mantendo apenas paredes e vestígios de destruição.
  • Uma boneca com sangue na cara é o que resta de uma “residenta” que supostamente controla entradas; curiosos ainda conseguem aceder com algum esforço.
  • Relatos de crimes ligados ao local incluem tortura de migrantes hondurenhos apontados num relatório de 2013 da Organização Mundial contra a Tortura; há menções de assassinatos e corpos enterrados, segundo a imprensa mexicana.
  • A torre principal deverá tornar-se num complexo de escritórios e lojas, com a obra prevista para arrancar no final do ano; o edifício manterá o nome La Torre.
  • O espaço já foi discoteca e palco de eventos, com piscina icónica, mas hoje encontra-se em ruínas; não há planos anunciados de manter salas dedicadas à memória da presença portuguesa em 1986.

O hotel La Torre, em Saltillo, famoso pela estadia da seleção portuguesa no Mundial de 1986, está hoje em ruínas. O edifício, outrora símbolo de conforto, permanece abandonado, com paredes degradadas, chão danificado e portas partidas. A memória persiste, ainda que o espaço sofra com o novo destino urbano.

O que resta é sobretudo uma memória visível em fotografias antigas. O público deparo-se com um local de décadas passadas, onde a torre principal não permite entrada, mas o resto da estrutura já não corresponde às descrições de 1986. Um portão fechado não impede curiosos de observar o complexo.

O estado atual do La Torre

Ainda que se veja uma possível residente que controla as entradas — uma boneca com a cara pintada de sangue na imagem principal — não é quem impede a visita. O acesso tem sido possível com algum jeito, revelando quartos destruídos onde dormiam dirigentes e jornalistas, enquanto os jogadores ocupavam os arredores da torre.

Relatos antigos descreviam um espaço verdejante, com piscina e áreas ao ar livre, descrições que hoje contrastam com o estado presente. O jornal local recolheu trechos de memória de Paulo Futre, que falava de um ambiente bem diferente do que hoje se observa.

O que se sabe sobre o passado do local

Há relatos consistentes na imprensa mexicana de crimes ligados ao edifício, incluindo tortura e detenção de migrantes. O Relatório de 2013, da Organização Mundial contra a Tortura, cita abusos contra 35 hondurenhos, com tentativas de forçar confissões de tráfico de droga.

A versão mais grave aponta para a atuação de uma milícia municipal, o Grupo de Reacção Operativa de Saltillo, que teria tomado o controle do espaço após o hotel deixar de funcionar como tal. Em relatos de época, há menções de mortes e de corpos ocultos nas dependências.

Louis Ledezma, natural de Saltillo, afirma ter visitado o edifício várias vezes sem encontrar cadáveres, contabilizando apenas visitas e curiosidade. Outros moradores recordam os espaços do La Torre como locais de discoteca, casamentos e eventos, com descrições detalhadas de áreas de topo e salões.

Planos para o futuro do edifício

Hoje, a torre principal é integrada num projeto de redesenho urbano para abrigar um complexo de escritórios e lojas. A remodelação prevê manter o nome La Torre, com uma intervenção de reabilitação interior e externa, mantendo a identidade do local. Os proprietários asseguram que o espaço não será demolido.

As propostas, contudo, não preveem batizar salas ou áreas alusivas à presença da seleção em 1986. A ideia é manter o edifício como referência, sem associá-lo explicitamente ao episódio histórico de Saltillo.

Considerações finais

O La Torre mantém o controlo da sua narrativa: da luxuosa memória de décadas passadas à promessa de reabilitação moderna. O espaço, que já foi palco de uma das discotecas mais famosas da região, parece querer transformar-se, preservando a memória sem centrá-la como foco central.

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