- No dia de abertura do Mundial de futebol de 2026, a Cidade do México viveu emoções contraditórias entre festa no Estádio Azteca e protestos exteriores, com mais de mil familiares de desaparecidos a marchar.
- O México coorganiza o torneio com os Estados Unidos e o Canadá, mas ativistas pedem que a crise dos desaparecidos não passe despercebida.
- Mais de 130 mil pessoas estão registadas como desaparecidas no México, com ligações a grupos criminosos ligados ao tráfico, extorsão e tráfico de pessoas.
- Existem famílias e organizações de defesa que denunciam falhas das autoridades nas investigações e na perseguição dos responsáveis.
- A presidente Claudia Sheinbaum propôs reformas para facilitar a identificação, partilha de informações e transparência, bem como distinguir raptos de casos de pessoas desaparecidas.
No dia de abertura do Mundial de Futebol 2026, a Cidade do México viveu emoções contraditadas entre festa e crise. O México coorganiza o torneio com os EUA e o Canadá e recebeu o espetáculo no Estádio Azteca, com artistas como Shakira, Andrea Bocelli e Burna Boy. Enquanto havia celebração no interior, milhares protestavam à porta, exigindo atenção à crise de desaparecidos.
Mais de mil familiares marcharam até o recinto, com velas e fotografias de entes queridos. Os manifestantes impediram, em alguns momentos, a normalidade do evento, lembrando que a violência e as desaparições afetam o país há anos.
A frase “México campeón en desaparición” foi usada por quem participou na marcha, para chamar a atenção mundial para um problema que persiste apesar da realização do Mundial.
Dimensão do problema
Dados oficiais indicam mais de 130 mil pessoas registadas como desaparecidas no México. O número tem aumentado nas últimas duas décadas, em paralelo com o crescimento de grupos criminosos e a intensificação da guerra às drogas.
Especialistas associam muitos casos ao crime organizado ligado ao tráfico de droga, extorsão e tráfico de pessoas. Vítimas podem ser raptadas, recrutadas à força ou enterradas em valas clandestinas.
Famílias e organizações de direitos humanos apontam falhas na investigação e na responsabilização dos responsáveis. A tragédia ganhou nova urgência após a descoberta, em 2025, de um local em Jalisco ligado a cartéis.
As mães investigadoras
Preservar a memória e localizar pessoas soma-se ao trabalho das chamadas madres buscadoras, que organizam buscas em zonas remotas e propriedades abandonadas. Alguns responsáveis relatam avanços, mas também ameaças e críticas à proteção governamental.
A presidente Claudia Sheinbaum propôs reformas para facilitar a identificação de desaparecidos, melhorar a partilha de informações e acelerar investigações, com maior transparência estatística. As medidas pretendem distinguir raptos de casos de desaparecimento.
As famílias continuam a exigir respostas, justiça e reconhecimento para milhares de pessoas desaparecidas. As mobilizações mantêm-se enquanto o mundo acompanha o Mundial.
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