- A Ordem dos Enfermeiros rejeita limites à contratação e defende que enfermeiros fiquem de fora de quotas.
- O bastonário, Luís Filipe Barreira, afirma que restrições são prejudiciais para o SNS e para a gestão de recursos humanos.
- A posição surge a partir de uma notícia do Público sobre orientações do SNS para não exceder 2,4% de trabalhadores face a 31 de dezembro de 2024.
- A OE estima falta de 14 mil enfermeiros, o que aumenta a despesa com horas extraordinárias e gera exaustão entre os profissionais.
- A organização avisa que criar um regime de exceção apenas para médicos agrava o desequilíbrio entre profissões e compromete a segurança e qualidade dos cuidados, com dados que mostram escassez de enfermeiros (7,6 por mil habitantes) versus médicos (5,8 por mil).
O bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE) pediu ao Governo que recue na ideia de impor limites à contratação de enfermeiros, alertando para o risco que tal medida representa para o SNS. A posição foi comunicada numa carta dirigida ao primeiro-ministro, Assembleia, ministra da Saúde e ministro das Finanças.
Luís Filipe Barreira afirma que a profissão não deve ficar sujeita a restrições e classifica a medida como incompatível com as necessidades assistenciais. O bastonário sustenta que qualquer limitação deveria vir acompanhada de um plano de contratação de enfermeiros para responder aos obstáculos do SNS.
A OE aponta que o SNS já enfrenta uma carência significativa de profissionais, estimando uma falta de cerca de 14 mil enfermeiros. A entidade acusa que a escassez se traduz em despesa com horas extra e em níveis de exaustão entre os trabalhadores.
Contexto e dados
Segundo a OE, Portugal tem cerca de 5,8 médicos por mil habitantes, acima da média OCDE, mas apenas 7,6 enfermeiros por mil habitantes, abaixo do padrão internacional. A ordem conclui que o problema não está na oferta de médicos, mas na insuficiência de enfermeiros.
Para a OE, manter regimes de exceção apenas para médicos aumenta o desequilíbrio entre profissões. A organização sustenta que a segurança e a qualidade dos cuidados dependem de equipas multidisciplinares completas.
A instituição acrescenta que a solução exige coerência com dados, necessidades assistenciais e a realidade dos serviços. Sem enfermeiros suficientes, não existe resposta sustentável, independentemente de contratações adicionais de médicos.
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