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Mais da metade usa automedicação e não informa o médico

Mais de metade recorre à automedicação; a maioria não comunica ao médico, evidenciando lacunas de acesso e potenciais riscos.

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O fenómeno é mais prevalente em grupos etários mais jovens
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  • Um estudo de 2025 com mais de 1.600 pessoas em Portugal revela que 51,85% já recorreram à automedicação, prática mais comum do que se pensava.
  • A automedicação é mais frequente entre jovens, especialmente 25 a 34 anos, com 66,26% a admitirem ter usado medicamentos por conta própria.
  • Entre pessoas com 85 anos ou mais, 39,62% disseram não ter recorrido à automedicação, e a frequência tende a aumentar com o nível de escolaridade e rendimento.
  • Mulheres usam mais automedicação, sendo mais frequente entre quem não tem médico de família (24,55%) do que entre quem tem (17,59%).
  • A maioria adoptou a automedicação com base em experiências anteriores (54% a 57%), recorrendo também a farmácias para orientação, e a prática é mais comum para sintomas de gripe/constipação e dores de cabeça.

Mais de metade das pessoas recorrem à automedicação em Portugal, revela um estudo divulgado hoje. A pesquisa, realizada em 2025, aponta que a prática é mais comum do que se pensava e abrange também a saúde mental. A maior parte dos utilizadores não informa o médico.

Os investigadores destacam a necessidade de integrar a automedicação nos cuidados de saúde. Defendem acesso a informação clara e estruturas de proximidade que orientem o utente e garantam uma comunicação entre os profissionais de saúde, evitando duplicações ou lacunas.

O estudo resulta da Cátedra em Economia da Saúde, da Iniciativa para a Equidade Social, em parceria entre a Fundação la Caixa, o BPI e a Nova SBE. Toma como base respostas de mais de 1600 pessoas em Portugal.

O relatório, a que a Lusa teve acesso, aponta que 51,85% já recorreram à automedicação. O fenómeno é mais frequente entre jovens, sobretudo entre 25 e 34 anos, com 66,26% a admitirem ter usado medicamentos por conta própria.

Entre idosos de 85+ anos, 39,62% afirmaram nunca ter recorrido à automedicação. A taxa é superior entre indivíduos com maior rendimento e escolaridade, sendo 60,77% de quem tem ensino superior a já ter usado automedicação.

As mulheres são mais propensas a recorrer a esta prática, especialmente quem não tem médico de família, com 24,55% a utilizarem automedicação face a 17,59% entre quem tem médico de família. Os investigadores associam o fenómeno a dificuldades de acesso aos cuidados.

Automedicação baseada em experiências anteriores

A maioria dos inquiridos (57,3%) disse ter automedicação por já ter enfrentado um problema semelhante. Outros 30,4% afirmaram ter medicamentos em casa para tratar situações idênticas.

Mais de metade (54,24%) disse ter obtido informação via experiências anteriores com o mesmo fármaco, 37,96% através de aconselhamento na farmácia e 7,56% por familiares ou amigos. As farmácias mantêm-se como o local de aquisição principal.

Entre os que já se automedicaram, 38,2% usam medicamentos que tinham em casa. O estudo aponta uma fronteira ténue entre autocuidado e automedicação orientada.

Os sintomas mais comuns justificadores da automedicação são gripe ou constipação (53,05%) e dores de cabeça (21,12%). Menos frequentes são dores musculares (10,70%), tosse (7,77%) e problemas digestivos (4,44%).

Outros motivos incluem alívio geral da dor e episódios de ansiedade, depressão, doença renal, infeções urinárias, artrose e asma. Os investigadores alertam para perigos em áreas como saúde mental e doenças crónicas, com risco de auto-diagnóstico incorreto e interações medicamentosas.

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