- Em 2022 foram registados 60.954 novos casos de cancro em Portugal, com uma taxa de 579,6 por 100 mil habitantes.
- A incidência foi mais elevada nos homens (658,3 por 100 mil) do que nas mulheres (507,7 por 100 mil), e cerca de 75% dos diagnósticos ocorreu em pessoas com mais de 60 anos.
- Os distritos do Porto, Braga e Lisboa apresentaram as taxas mais altas, mantendo Norte e a Madeira como regiões com maior carga oncológica.
- Os tumores mais frequentes foram mama, colorrectal, próstata, pulmão e pele não-melanoma; o cancro do cólon aumentou, possivelmente devido ao alargamento do rastreio.
- O Registo Oncológico Nacional defende a expansão dos rastreios para pulmão, próstata e estômago, e aponta para a implementação de programas no âmbito do Orçamento do Estado para 2024.
Em 2022, Portugal registou 60.954 novos casos de cancro, com uma taxa de 579,6 por 100 mil habitantes. A incidência diminuiu face aos padrões da pandemia, aproximando-se dos valores de 2019, mantendo-se prêmios para mama, colorrectal, próstata e pulmão entre os mais frequentes.
A distribuição por sexo mostra valores superiores nos homens (658,3) do que nas mulheres (507,7), estando cerca de 75% dos diagnósticos em pessoas com mais de 60 anos. Distritos do Porto, Braga e Lisboa apresentaram as maiores taxas de incidência.
Causas regionais e faixas etárias
O estudo do Registo Oncológico Nacional (RON) indica que o grupo etário com 80 a 84 anos teve a taxa mais elevada, com 1.645 casos por 100 mil habitantes. Nos homens, a próstata liderou os diagnósticos; nas mulheres, a mama manteve-se no topo.
A nível geográfico, as taxas padronizadas mais altas ocorreram no Porto, Braga, Lisboa e na Região Autónoma da Madeira. O Norte e a Madeira concentram a maior carga oncológica do país.
Fatores de risco e rastreio
Especialistas associam as diferenças regionais a hábitos de vida e fatores de risco, além de fatores demográficos. O cancro do pulmão tende a ser mais frequente em zonas urbanas, enquanto o do estômago persiste com maior incidência no Norte. O envelhecimento da população também explica parte do aumento em velhos.
O aumento da incidência do cancro colorrectal tem relação com a expansão do rastreio, enquanto se entende que o envelhecimento natural contribui para a elevação em faixas etárias mais elevadas. O RON aponta ainda para a necessidade de reforçar programas de rastreio.
Perspetivas de rastreio
A coordenadora do RON defende a continuação do diálogo sobre a expansão do rastreio para pulmão, próstata e estômago. Em 2022, o tema ganhou impulso e, no Orçamento de 2024, esteve previsto o alargamento dos rastreios nacionais para estes cancros.
O Registo Oncológico Nacional funciona sobre uma plataforma eletrónica única, reunindo dados de doentes diagnosticados e tratados em Portugal continental e regiões autónomas. O objetivo é monitorizar rastreios, terapêutica e vigilância epidemiológica.
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