- Uma dezena de funcionários da casa mortuária do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, estaria envolvida num esquema que pagava entre 20 e 30 euros por cada corpo para adiantar o levantamento de cadáveres pelas funerárias que pagavam.
- O dinheiro era partilhado num “bolo” semanal, permitindo que alguns elementos acumulassem rendimento extra de até 500 euros por mês; o esquema parece funcionar há mais de duas décadas.
- A denúncia de outubro de dois mil e vinte e três, feita pela atual ministra da Saúde, levou o Ministério Público a entregar o caso à Polícia Judiciária, que já realizou buscas na morgue e nas habitações dos suspeitos na operação “Rigor Mortis”.
- Não há ainda arguidos identificados; foram apreendidos registos em código que deverão ser analisados pelas autoridades.
- Em anos recentes existem casos semelhantes em Portugal, com médicos, funcionários de morgues e agentes de funerárias envolvidos na libertação rápida de corpos mediante subornos, em Bragança e Aveiro.
A investigação sobre luvas entre 20 a 30 euros pagas a funcionários da morgue do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, visa acelerar o levantamento de corpos a favor de funerárias. O esquema terá funcionado há mais de duas décadas, com uma nova denúncia em outubro de 2023 a desencadear o processo. A Polícia Judiciária (PJ) trabalha com o Ministério Público (MP) na apuração.
A operação denominada Rigor Mortis decorreu esta quinta-feira, com buscas na morgue e nas habitações dos suspeitos. Apesar de terem sido apreendidas provas, como registos codificados, ainda não há arguidos no processo, segundo fonte oficial da PJ.
O MP e a PJ indicam que o objetivo era compensar funcionários pela preparação de corpos de doentes internados, permitindo o levantamento mais célere por parte de funerárias. O montante distribuía-se por um grupo ao longo de um jantar semanal, com ganhos superiores a 500 euros em meses bons.
Desdobramentos e contexto
O caso envolve uma dezena de funcionários e já se registavam esquemas similares em outras regiões do país, como Bragança e Aveiro, nos últimos anos. Em 2023, médicos, delegados de saúde, morgues hospitalares e agentes funerários estiveram associados a práticas de libertação rápida de corpos mediante suborno.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que denunciou a situação, visitou o Santa Maria pouco depois das buscas, mantendo-se em silêncio sobre o andamento da investigação. O presidente do Conselho de Administração da USLS Santa Maria afirmou que a instituição colabora com a justiça e aguarda o desfecho do processo.
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