- Pelo menos dois cidadãos nigerianos morreram na África do Sul, numa violência xenófoba que levou ao repatriamento de mais de quatrocentos africanos.
- O Quénia, a Nigéria e Uganda indicaram números provisórios de repatriamentos; Uganda anunciou a chegada de 255 ugandeses, elevando o total para 560.
- Também houve grandes manifestações anti-imigração nas principais cidades sul-africanas, com milhares a exigir a saída de migrantes.
- O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ordenou o destacamento de mais de três mil militares durante um mês para garantir a ordem pública.
- A Nigéria denunciou o assassinato de dois nigerianos e pediu investigações rápidas, deixando claro que pode recorrer a várias opções caso a violência persista.
Dois cidadãos nigerianos morreram e mais de 400 africanos foram evacuados da África do Sul em meio a uma vaga de violência xenófoba que se estende desde o início da semana. Os governos do Quénia, Nigéria e Uganda indicaram números provisórios, atualizados até este domingo.
A violência desencadeou campanhas de repatriamento em vários países vizinhos, com milhares de manifestantes a exigir a saída de imigrantes. Em Uganda, 255 cidadãos chegaram ao país, elevando para 560 o total de ugandeses repatriados desde fevereiro, segundo a Embaixada de Uganda em Pretória.
Os ugandeses que regressaram descreveram a viagem como uma passagem da incerteza para a segurança, com receção de familiares no Aeroporto Internacional de Entebbe, onde o Governo transmitiu gratidão pela receção aos repatriados.
Repatriamento e números oficiais
O Primeiro-Ministro queniano e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Musalia Mudavadi, confirmou que, até 3 de julho, 151 quenianos tinham regressado ao país, numa operação coordenada pela Alta Comissão do Quénia em Pretória, com término previsto para a próxima terça-feira.
Nairobi informou ainda que mais de 200 quenianos procuraram refúgio na Alta Comissão do Quénia em Pretória, enquanto aguardavam evacuação. O Ministério sublinhou que estes pedidos são uma fração dos cerca de 27 mil quenianos que vivem no país.
Reação de líderes e autoridades
Na África do Sul, protestos em várias cidades exigiram a saída de migrantes africanos, incluindo ugandeses, zimbabueanos, nigerianos e moçambicanos. Os manifestantes acusaram esses grupos de contribuir para o desemprego, a degradação de serviços públicos e a criminalidade, numa taxa de desemprego elevada.
O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, ordenou o destacamento de mais de 3.000 militares durante um mês para assegurar a ordem pública, à medida que os protestos são reiterados por organizadores.
A Nigéria denunciou o assassinato de dois dos seus cidadãos na África do Sul, ocorridos a 28 de junho, e pediu investigações urgentes sobre os homicídios e alegadas execuções extrajudiciais. O ministério dos Negócios Estrangeiros afirmou que se mantém em alerta e não adianta medidas sem conclusão de apuramento.
Contexto regional e consequências
Os governos do Quénia, do Uganda e da Nigéria reforçaram a necessidade de proteção de cidadãos e residentes durante os episódios de xenofobia. Países vizinhos já tinham iniciado repatriamentos massivos de nacionais que optaram por regressar aos respetivos países por temores de ataques.
As autoridades sul-africanas reiteraram o direito de combater a imigração irregular, reconhecendo as tensões xenófobas que persistem no país, com impactos frequentes em comunidades de diferentes origens.
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