- O general Dominique Trinquand afirma que a guerra no Irão não terá desfecho militar, mas sim diplomático, e que o conflito pode durar ainda muito tempo.
- A situação no Médio Oriente não está em guerra nem em paz, porque não existe qualquer cessar-fogo formal, segundo o ex-chefe da missão militar francesa na ONU.
- Trinquand sustenta que o Irão permanece, em grande medida, sob o controlo das suas autoridades, o que complica uma resolução do conflito.
- O confronto intensificou-se recentemente com o abate de um helicóptero Apache no estreito de Ormuz e com ataques recíprocos entre Irão e Estados Unidos, seguidos de retaliações na região.
- O ex-general aponta o Líbano como peça-chave para um acordo, já que o Irão condiciona uma paz a mudanças na situação libanesa, numa altura em que Washington falaria de um cessar-fogo, mas sem acordo formal com Teerão.
O ex-general francês Dominique Trinquand afirma que a crise atual no Médio Oriente tende a um desfecho diplomático, não militar. Em entrevista à Euronews, o especialista sustenta que o conflito deve durar mais tempo, mantendo o Irão sob pressão sem grandes mudanças.
Trinquand descreve um cenário de linha tênue entre guerra e paz. Segundo ele, não houve cessar-fogo formal e o Irão permanece, em grande medida, sob controle das autoridades, o que complica qualquer acordo duradouro.
A tensão aumentou após o abate de um helicóptero Apache no estreito de Ormuz. A tripulação foi resgatada por um drone da Marinha dos EUA, elevando o tom de retaliations entre Washington e Teerão.
Em resposta, o presidente dos EUA autorizou ataques no estreito de Ormuz, desencadeando uma escalada com reacções iranianas e norte-americanas. A Jordânia também interceptou mísseis apontados a bases norte-americanas na região.
O conflito mantém-se em equilíbrio frágil, mesmo após uma declaração de cessar-fogo emergente entre EUA e Irão em abril. Trinquand sustenta que não houve acordo formal, apenas uma declaração, deixando a responsabilidade de verificar violações com Washington.
Segundo o ex-general, a ausência de um acordo vinculativo dificulta a monitorização e a execução de qualquer trégua, mantendo o risco de episódios de violência.
Para Trinquand, o papel do Líbano tornou-se central no processo. O Irão condiciona qualquer avanço à sua posição no país, enquanto os EUA consideram a estabilidade de Israel como prioridade.
O analista aponta ainda que os EUA teriam interesse em moderar a eleição de mudanças no Líbano, mas o Irão utiliza o tema para pressionar pela revisão da situação regional, em especial no contexto dos ataques e das trocas de fogo.
O general ressalta que a segurança regional depende de uma solução política que inclua a participação de várias partes, sem atribuições de culpa imediatas a um único ator, mantendo o foco na diplomacia como único caminho viável.
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