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Palestinianos em Jerusalém forçados a demolir as suas casas

Palestinianos em Jerusalém demolem as casas por ordens judiciais, deixando cerca de cinquenta pessoas sem abrigo no contexto de expulsões em Silwan

"Há uma comunidade inteira prestes a ser expulsa" numa zona de Jerusalém
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  • Em Jerusalém, palestinianos demolem as suas próprias casas após ordens judiciais, como alternativa a pagar pela demolição a empresas.
  • No bairro de Al-Bustan, Silwan, dezenas de demolições estão ordenadas, com pelo menos sete ocorridas durante o Eid al-Adha; em dois anos, mais de cinquenta já ocorreram.
  • Um homem relatou que escolher entre demolição por conta própria ou pagar é visto como uma opção “mais ou menos má”; outras famílias enfrentam custos judiciais e prazos curtos.
  • As demolições afetam cerca de 115 casas e aproximadamente 1.500 residentes do bairro, com temores de expulsão de toda a comunidade.
  • As autoridades, direitos humanos e organizações internacionais apontam violações do direito internacional; a União Europeia já apelou a Israel para encerrar estas práticas.

Nos últimos dias, em Jerusalém, dezenas de palestinianos foram obrigados a demolir as suas próprias casas após rádios oficiais e decisões judiciais. A demolição surge no âmbito de um processo de expulsão e de reordenamento urbanístico na zona de Silwan, designadamente no bairro de Al-Bustan.

Entre os casos, surge Mujahid Badran, de 29 anos, inspector de transportes e pai de três filhos, que estava a demolir a casa durante as celebrações do Eid al-Adha. A demolição decorreu com a ajuda de martelos pneumáticos e uma marreta, conforme contou ao Haaretz.

Jalal al-Tawil descreveu, ao The Guardian, a demolição da casa construída pelo pai em terreno onde estavam as habitações dos avós, usando um tractor para arrancar paredes e até cortar uma videira de 35 anos, que costumava doar uvas ao bairro. A situação é apresentada como particularmente dolorosa para quem enfrenta a demolição durante as festividades religiosas.

Para muitos residentes, a alternativa à demolição é pagar pela demolição a empresas contratadas, o que representa um custo elevado. Relatos incluem que a diferença entre demolir com as próprias mãos e pagar a terceiros pode ser de apenas uma fracção do preço cobrado pela câmara municipal, aumentando o peso financeiro do processo.

Segundo testemunhos ao Haaretz, o bairro de Al-Bustan tem vindo a ser alvo de múltiplas demolições. Pelo menos sete ordens foram emitidas durante o Eid, juntando-se a mais de 50 nos dois últimos anos, num movimento que facilita o desenvolvimento de um parque temático denominado Os Jardins do Rei, integrado no projeto Cidade de David.

O jornal local indicou que as famílias receberam prazos curtos, de três dias, para realizar as demolições. Caso não cumprissem, as autoridades prometeram demolir as habitações e cobrar o custo às famílias, com a eventualidade de ação direta.

Entre as consequências, mobilizações com impacto humano: cerca de 50 pessoas ficaram sem abrigo, incluindo crianças e idosos. Muitas habitações já tinham sido edificadas antes de 1967, com documentação que remonta ao período do mandato britânico, às autoridades jordanianas e à situação atual.

A Câmara de Jerusalém aponta que a casa de Badran foi construída sem licença. Contudo, organizações de defesa dos direitos humanos referem dificuldades crónicas de obtenção de licenças de construção para residentes palestinianos, em contraste com a maior facilitação de licenças para outras comunidades.

Dados de uma investigação recente do Haaretz indicam que, em 2025, apenas 7% das aprovações de construção na cidade foram atribuídas a residentes palestinianos, que representam cerca de 40% da população. O bairro de Silwan, com 115 casas e aproximadamente 1500 moradores, permanece sob pressão de expulsão.

Noutras zonas de Silwan, algumas habitações palestinas já foram ocupadas por colonos, aumentando a tensão local. As demolições e expulsões já foram descritas pela ONU como violações do direito internacional, e a União Europeia tem apelado a Israel para cumprir as obrigações legais.

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