Pelo menos quatro pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas na série de bombardeamentos russos contra Kiev e arredores na madrugada deste domingo. A capital ucraniana foi o principal alvo de um ataque massivo com drones e mísseis de diversos tipos, atingindo edifícios residenciais, centros comerciais e escolas. A Força Aérea ucraniana informou ter abatido 549 drones e interceptado 55 mísseis.
O Presidente da Ucrânia acusou Moscovo de recorrer ao míssil hipersónico Oreshnik, com capacidade nuclear, numa operação dirigida a Bila Tserkva. Zelensky afirmou que o ataque demonstra uma escalada de agressão russa e pediu apoio internacional. Poucas horas depois, a Rússia confirmou a utilização do Oreshnik, marcando a terceira vez que o arma foi empregada na Ucrânia.
Contexto estratégico
O Oreshnik é descrito pelo Kremlin como uma arma de última geração, capaz de voar a alta velocidade e de transportar múltiplas ogivas, com alcance entre 3.000 e 5.500 quilómetros. Segundo Moscovo, o míssil tem capacidade de atingir vários alvos em simultâneo e é difícil de interceptor.
A velocidade estimada do Oreshnik ronda os 13 mil quilómetros por hora, dificultando a defesa aérea existente. Putin já declarou que o poder destrutivo da arma é comparável ao de uma arma nuclear, sustentando que não existe tecnologia capaz de a travar. O míssil foi utilizado pela primeira vez em novembro de 2024, num ataque a uma fábrica militar em Dnipro, e voltou a ser utilizado em janeiro contra Lviv.
Repercussões
Dias antes, um ataque ucraniano a uma escola e residência de estudantes em Lugansk deixou 21 mortos, causando reação do líder russo. Dmitri Medvedev, vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia, sugeriu que os bombardeamentos de Kiev seriam uma retaliação ao ataque em Lugansk e acusou Zelensky de provocar uma resposta para angariar apoio financeiro e militar.
O Governo português condenou o ataque a Kiev e reafirmou apoio à Ucrânia, mantendo o compromisso com uma paz justa e duradoura. Além disso, a comunidade internacional tem acompanhado a evolução da situação e analisa as implicações de uso de armas hipersónicas.
Reações internacionais
Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, criticou a utilização do Oreshnik, classificando-a como tática de intimidação e como uma forma de chantagem nuclear imprudente. Os comentários destacam a preocupação com a escalada de tensões na região e os riscos para a segurança europeia.
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