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Vala comum com ossadas de mais de 500 pessoas encontrada em Luanda

Maior vala comum descoberta em Luanda, com mais de 500 ossadas; restos seguem para exames de ADN para identificar familiares das vítimas do 27 de Maio de 1977

Homenagem às vítimas do 27 de Maio no cemitério de Sant'Ana, em Luanda, em 2021, o primeiro ano em que oficialmente se reconheceram as vítimas da purga
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  • Vala comum com ossadas de mais de 500 pessoas foi encontrada no cemitério Mulemba, em Luanda, numa investigação da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação (CIVICOP).
  • Os restos mortais serão encaminhados para exames laboratoriais para confirmar identidades e apoiar as famílias no reconhecimento dos entes queridos.
  • Será divulgada uma lista pela Unidade Central de Criminalística para permitir a recolha de ADN de familiares, com foco nas vítimas do 27 de maio de 1977.
  • Desde a criação da CIVICOP, foram exumados 316 mortos em oito províncias; a comissão já comprovou a morte de 3.248 pessoas nos conflitos políticos angolanos.
  • Cerca de 500 famílias com reclamações ativas aguardam a localização dos seus parentes; o número exato de vítimas do 27 de maio de 1977 varia entre duas mil e quarenta mil.

Uma vala comum com ossadas de mais de 500 pessoas foi descoberta no cemitério da Mulemba, conhecido como cemitério do 14, em Luanda. O achado foi confirmado pela ministra da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, coordenadora da CIVICOP. O local fica no Hoji Ya Henda.

As ossadas serão enviadas a exames laboratoriais para confirmar identidades e apoiar as famílias no reconhecimento dos entes queridos, segundo o anúncio feito à Televisão Pública de Angola. A revelação encerra cinco anos de investigação da comissão.

A CIVICOP, criada em 2019 pelo Presidente João Lourenço, investiga valas comuns resultantes de conflitos políticos entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002, com ênfase no 27 de Maio de 1977. O número exato de vítimas ainda não é conhecido.

Listagem de familiares e próximas etapas

A Unidade Central de Criminalística, em Luanda, com delegações provinciais, divulgará uma lista para facilitar recolhas de ADN aos familiares e testes de compatibilidade. Há cerca de 500 famílias com reclamações ativas à CIVICOP à espera de localizarem restos.

Segundo o Novo Jornal, a lista será publicada na Unidade Central de Criminalística e nas províncias, permitindo recolha de amostras de ADN para comparação. A CIVICOP já confirmou cerca de 316 mortos exumados em oito províncias desde a criação da comissão.

A organização já comprovou a morte de 3248 pessoas nos conflitos, tendo emitido as respetivas certidões de óbito. A confirmação de que os restos do cemitério do Mulemba correspondem a uma parte relevante do total será comunicada pelas autoridades competentes.

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