O Papa, em África, criticou duramente líderes que gastam bilhões em guerras, afirmando que o mundo está devastado por um grupo de tiranos. O apelo foi feito em Bamenda, Camarões, numa intervenção improvável em tom contundente durante a visita pastoral.
O Pontífice denunciou ainda o uso da religião para justificar conflitos e pediu uma mudança de rumo decisiva. Afirmou que dinheiro usado para violência é retirado de recursos para cura, educação e reconstrução, aumentando a pobreza e o subdesenvolvimento.
Os detalhes surgiram durante uma deslocação a Bamenda, cidade anglófona onde um conflito com raízes históricas já fez milhares de mortos. O Papa pediu aos líderes locais uma luta contra a corrupção e o poder dos ricos.
Cessar-fogo de três dias durante a visita
Depois de chegar a Yaoundé, o Papa pediu um cessar-fogo de três dias para facilitar a circulação de civis e visitantes, incluindo durante a visita do Pontífice. Em Bamenda, cerca de 20 mil pessoas assistiram a uma missa no aeroporto.
Durante o encontro, o Papa defendeu a restauração da unidade nacional e a denúncia de quem explora a riqueza africana. Descrições de testemunhos de violência destacaram o impacto humano do conflito, incluindo rapto de religiosos e ataques a locais de culto.
A transferência de responsabilidade para uma mediação de paz foi citada como esperança, apesar de perspetivas de resolução permanecerem limitadas. O Papa reiterou que a crise não deve degenerar em conflito religioso, incentivando a colaboração entre comunidades cristãs e muçulmanas para o fim dos confrontos.
Entre na conversa da comunidade