- Mais de 1,6 milhões de ucranianos regressaram às zonas da linha da frente (Kharkiv, Donetsk, Kherson e Sumy), segundo um relatório da Save the Children.
- A maioria voltou porque a saudade de casa e da comunidade foi mais decisiva do que o medo dos ataques.
- Três quartos dos entrevistados disseram que o isolamento nas comunidades de acolhimento também influenciou a decisão de regressar.
- O stress financeiro é a segunda razão mais importante para o regresso, já que muitos perdem rendimentos e redes de apoio ao fugir.
- A regressão à zona de guerra implica riscos de vida, dificuldades em acesso a educação e impacto psicossocial devido aos alertas aéreos e ao conflito.
Mais de 1,6 milhões de ucranianos regressaram às zonas da linha da frente, apesar dos ataques russos, segundo um relatório da Save the Children. Kharkiv, Donetsk, Kherson e Sumy são as regiões mais afetadas pela deslocação de volta para zonas de combate.
O estudo indica que a saudade de casa foi o fator decisivo para a maioria, superando o medo de bombardeamentos. Três quartos dos entrevistados mencionam a ligação à comunidade e a sensação de isolamento nos locais de acolhimento como motivadores para regressar.
A direção nacional da Save the Children na Ucrânia, Sonia Khush, sublinha o dilema entre a segurança relativa fora das zonas de combate e o custo humano da deslocação, destacando o enorme peso psicológico de viver sob alerta constante.
Além da saudade, o stress financeiro surge como a segunda razão mais citada. Muitas famílias constatem que não conseguem sustentar-se longe das redes de apoio e das oportunidades de rendimento de antes da guerra.
Contexto e dados de deslocamento
Quase metade dos pais afirmou que regressou porque os filhos estavam infelizes, estressados ou isolados nas comunidades de acolhimento. As equipas da organização alertam para riscos de acesso limitado à educação e à proteção infantil.
A migração de regresso compromete a educação de qualidade, amplia o acesso a serviços como parques seguros e agrava o sofrimento psicossocial devido aos alertas aéreos frequentes e ao conflito em curso.
Khush ressalva a necessidade de proteger as crianças afetadas, garantindo cuidados e oportunidades para reconstruírem as suas vidas onde escolherem, sem deixar que a guerra molde cicatrizes duradouras.
Deslocamento interno e externo
Após quatro anos de guerra total, cerca de 3,4 milhões continuam deslocados dentro da Ucrânia, enquanto 5,9 milhões procuraram segurança no estrangeiro. Em janeiro de 2026, quase 4,4 milhões estavam registados na UE sob proteção temporária.
Em dezembro de 2025, estima-se que 9,1 milhões de pessoas viviam nas zonas da linha da frente. A maioria não abandonou as suas casas originais, mantendo tensão contínua entre deslocamento e retorno.
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