- Na Dinamarca, agricultora industrial, indústria, sindicatos e organizações ambientalistas criaram o Acordo Tripartido Verde, com 23 grupos locais a redesenhar o território com base em dados científicos, aplicando taxas de CO₂, retirando terras da produção e restaurando zonas húmidas.
- A notícia questiona se Portugal está preparado para uma iniciativa semelhante, destacando a falta de uma cultura de consensualização e de planeamento partilhado entre setores.
- Observadores apontam problemas de governança em Portugal: reatividade, uso da ciência apenas em crises e dados científicos fragmentados entre várias entidades públicas.
- Exemplos citados mostram fragilidades na gestão integrada de recursos: incêndios de grande dimensão, cheias recentes no Baixo Mondego e promessas de infraestruturas que não acompanham a ciência.
- Conclui-se que uma concertação tripartida requer intervenção a escala local, diálogo direto com agricultores, autarcas e comunidades, bem como vontade política de tomar decisões para além do próximo ciclo eleitoral.
Após décadas de conflitos, a Dinamarca reuniu os seus adversários históricos em torno de um Acordo Tripartido Verde. Agricultura industrial, conservação da natureza, sindicatos e organizações ambientais criaram 23 grupos locais para redesenhar o país com base em dados científicos.
O objetivo é reduzir emissões de CO2, retirar terras da produção ganhando espaço para zonas húmidas e restaurar ecossistemas, mantendo a produção e o emprego. A iniciativa nasceu de um consenso entre setores embutido em políticas públicas.
Dinamarca mostra caminho, Portugal analisa
A notícia foi partilhada por Henrik Vejre numa conferência sobre políticas baseadas em ciência, organizada pela Terra e Change. O debate questionou se Portugal está preparado para uma experiência tripartida semelhante.
Desafios nacionais em foco
Durante a mesa-redonda moderada por Humberto Delgado Rosa, destacou-se a ausência de uma cultura de consensualização em Portugal. A partilha de decisões entre governo, agricultores e comunidades permanece fraca.
Ciência e governança em tensão
Helena Freitas alertou para a convocação esporádica de ciência apenas em crises, citando incêndios de 2017 e 2022. Estruturas públicas desmantelam-se quando a atenção mediática diminui. Cheias do Baixo Mondego também foram mencionadas.
Disponibilidade de dados e cooperação
Rui Ferreira dos Santos sublinhou lacunas na avaliação de medidas, devido à falta de ferramentas nacionais. Cristina Máguas apontou dados dispersos entre CCDR, IPMA e ICNF, dificultando respostas estruturadas.
Necessidade de atuação local
José Lima Santos defendeu que a concertação precisa de proximidade com agricultores, autarcas e comunidades. Sem diálogo direto com quem gere o território, a concertação não funciona.
Caminho para uma transição climática
Portugal precisa de vontade política para pensar além do próximo ciclo eleitoral. A Dinamarca demorou décadas para chegar a este modelo; o tempo em Portugal, dizem os debatedores, pode ser curto. O artigo sustenta uma reflexão sobre prioridades públicas.
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